A crise das empresas de saúde em domicílio na Nova Zelândia

Uma investigação do Financial Times sobre o mercado de serviços de saúde em casa (home care) da Nova Zelândia expôs como algumas empresas tornaram o cuidado de idosos uma máquina de lucro e destacou os custos humanos de um modelo de negócios que favoreceu o retorno do investimento em vez de bons cuidados.

A análise foi oportuna, pois os problemas financeiros da empresa Southern Cross, então a maior operadora de home care do país, estavam chegando a um estágio crítico. Há décadas o governo promoveu uma privatização no setor de cuidadores e continuou a atrair o setor privado para práticas astutas de negócios.

Nossa investigação começou com a análise de dados obtidos a partir do órgão regulador do Reino Unido responsável por fiscalizar serviços de saúde em domicílio. A informação era de utilidade pública, mas exigiu muita persistência para ser obtida em uma forma utilizável.

Os dados incluíram avaliações (agora extintas) sobre o desempenho dos serviços em domicílios e também se eles eram privados, estatais ou sem fins lucrativos. A Comissão de Qualidade da Assistência, até junho de 2010, avaliou cuidados domiciliares em nível de qualidade (que iam de 0 estrelas = ruim a 3 estrelas = excelente).

O primeiro passo necessário foi um grande tratamento de dados, pois aqueles dados continham categorias não-uniformes. Isso foi feito usando principalmente o Excel. Nós também determinamos — por meio de pesquisas secundárias ou por telefone — se determinados serviços domiciliares haviam sido adquiridos por meio de grupos de private-equity. Antes da crise financeira, o setor de home care era um ímã para private equity e investidores imobiliários, mas vários – como Southern Cross – começaram a enfrentar sérias dificuldades financeiras. Queríamos estabelecer se havia algum efeito no fato de uma empresa ser ligada a um fundo de private equity (que normalmente financia empresas em fase de expansão de forma agressiva).

Um conjunto relativamente simples de cálculos do Excel permitiu-nos estabelecer que os cuidadores sem fins lucrativos e geridos pelo governo tinham, em média, um desempenho significativamente melhor do que os do setor privado. Alguns grupos de private-equity de home care mostravam um desempenho acima da média, e outros bem abaixo da média.

Junto com a reportagem de campo, os estudos de casos de negligência jogaram um olhar mais profundo sobre falhas nas políticas de regulação, bem como mostraram outros dados sobre os níveis de remuneração, rotatividade, etc., e nossa análise foi capaz de evidenciar a verdadeira situação de cuidado ao idoso.

Por Cynthia O’Murchu, Financial Times

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