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A cultura hospitalista prejudica a assistência domiciliar

O lançamento do programa Melhor em Casa pelo Governo Federal marcou um novo capítulo da assistência domiciliar público e privada no brasil. Nós brasileiros até então habituados aos costumes do atendimento hospitalar aos poucos estamos tendo contato com uma modalidade de assistência que vem até a nossa casa prestar assistência médica através de equipes de saúde públicas e até mesmo privadas.

Além de atingir em cheio o processo de recuperação do paciente, oferecendo-lhe mais e melhores recursos e às vezes o próprio conforto da casa do doente, o Ministério da Saúde também focou a melhora da capacidade de atendimento dos hospitais públicos, com a liberação de leitos para novos pacientes, que até então estavam ocupados por pacientes que poderiam dar continuidade do tratamento em casa.

Chegamos em maio desse ano a 236 estabelecimentos públicos em todo o país executando o Programa Melhor em Casa, estando 48% desse contingente localizado no sudeste do Brasil, essencialmente em São Paulo, maior estado brasileiro com 41 milhões de habitantes. Já é possível contar com 199 equipes multidisciplinares de atenção domiciliar atuando em todos esses estabelecimentos espalhados pelo país, ampliando cada vez mais nosso conhecimento para um modelo de assistência que está crescendo.

Na contramão desses número, entretanto, está a capacidade de o Ministério da Saúde divulgar o programa Melhor em Casa e mostrar às pessoas o que é a assistência domiciliar, suas vantagens para o paciente, para a família, para sua recuperação como um todo. Após o lançamento do programa em novembro último nada se fez nesse sentido, salvo publicações de indicadores de implantação de novas unidades e equipes pelos cantos do país.

É importante que o Governo Federal perceba que estamos em uma cultura “hospitalista”, onde o paciente privilegia o atendimento médico no hospital a qualquer outro tipo de atendimento domiciliar. Há centenas de anos utilizamos as estruturas hospitalares para sanar problemas de saúde, e não é com siglas tão somente que plantaremos a semente da assistência domiciliar nas pessoas, especialmente aquelas com menor grau de instrução.

Isso se faz sobretudo com educação e comunicação, didática de massa para instruir sobre as vantagens da assistência domiciliar, o significado do termo Home Care – bastante difundido por aqui. Mas ainda não conseguimos perceber essa preocupação com o nível de conhecimento das pessoas. Pelo contrário, já recebemos contato de pessoas preocupadas com a implantação do programa Melhor em Casa, por desconhecerem do que se trata e especialmente por estarem perdendo a vaga do leito no ambiente hospitalar.

Se de um lado a medicina suplementar, representada pelas mais de milhares operadoras de planos de saúde, não está nenhum pouco preocupada em aumentar o nível de conhecimento dos seus beneficiários para a assistência domiciliar, o Governo Federal deveria sim estar viabilizando formas de educar as pessoas para isso, pois somente dessa forma terá sucesso na implantação das metas audaciosas para esse programa.

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