A segurança do paciente é primordial

By Academia Médica.

Erros que os médicos ingleses cometem ao fazer suas prescrições.

 

Como diria meu professor de Farmacologia, Dr. Marcelo Sato: “A boa prescrição é marca do bom clínico”. Veja no Academia Médica alguns erros que os pesquisadores ingleses encontraram em prescrições de médicos britânicos, e então, não os copie.

Um a cada 6 pacientes que recebem tratamento medicamentoso após uma consulta com um médico generalista estão com uma prescrição contendo um erro, de acordo com o Conselho Geral de Médicos (GMC – no Reino Unido). Este dado infelizmente não existe no Brasil.

Um estudo feito pelo GMC – que regulamenta os médicos ingleses – encontraram numa pesquisa que durou um ano, que um a cada 20 itens na prescrição tinha algum tipo de erro ou a monitoração da administração do medicamento ao paciente foi insuficiente – o que geralmente envolvia medicamentos em que são necessários exames de sangue regulares para garantir que não está causando nenhum outro problema. São 900 mil prescrições por ano na Inglaterra , destas, 45 mil continham algum erro. Haviam mais erros nas prescrições para pessoas com mais de 75 anos, pois estas tomam mais medicamentos.

A maioria dos erros caiu na categoria dos descuido ao invés do erro. O médico falhou quando escreveu a frequência que o paciente deveria tomar o medicamento, ou a dose. Um a cada 550 itens, numa pesquisa envolvendo 16000 prescrições na Inglaterra, continha um erro considerado grave.

“Dois erros foram quando o paciente relatou anteriormente alergia a um determinado produto e ainda assim, recebeu a prescrição deste produto. ” disse o  Professor Tony Avery  da University of Nottingham’s Medical School, que liderou a pesquisa. “Foi uma penicilina e um antiviral” ele disse. Deveria aparecer um alerta sobre a alergia no sistema de computador do médico.

Outro serio problema é acompanhar os pacientes, especialmente os mais idosos, deve-se, por exemplo, fazer exames de sangue durante o uso de warfarina (um anticoagulante oral) para garantir que estão tomando a dose correta. Se o monitoramento for feito fora do consultório médico, numa clínica especializada, e o paciente não compareceu, o médico pode não saber disso.

Apenas uma reação adversa severa foi relatada dentre os 15 clinicas médicas das três áreas da Inglaterra, e foram selecionadas como significativas no país, cada uma delas tinha, em média, 1777 pacientes. Um paciente mais idoso, que recebeu a prescrição de um anti inflamatório não esteroidal (AINES, o que inclui o ibuprofeno) e foi admitido no hospital com sangramento no estomago, um efeito adverso conhecido com este tipo de medicamento.

Exemplo de uma prescrição fatal. A dose de insulina neste caso, se tivesse sido aviada, poderia matar o paciente. Médico estrangeiro do programa Mais Médicos

Exemplo do Brasil de uma prescrição fatal. A dose de insulina neste caso, se tivesse sido aviada, poderia matar o paciente. Médico estrangeiro do programa Mais Médicos

O estudo continuou de forma semelhante com os médicos ingleses em hospitais, encontraram uma taxa de erro em torno de 8% . O índice de erro entre os cirurgiões foi menor, cerca de 5% dos itens prescritos, as causas disso parecem ter muito mais haver com a relação médico-paciente.

” Está muito claro que os médicos levam suas prescrições muito a sério” disse Avery. Um dos problemas, entretanto, é a distração. A prescrição é a última coisa a ser feita durante uma consulta, e quando o tempo está acabando, algumas vezes o paciente começa a falar sobre uma outra queixa ou problema.

A pesquisa também mostra que uma delicada relação entre o médico e o paciente de longo prazo ou aquele que acha sabe tudo. Um médico tentou persuadir uma paciente a parar de tomar seu anticoncepcional devido ao elevado risco dela, mas não conseguiu, então contou aos pesquisadores: “Ela é o tipo de paciente que sabe o que quer e te conta o que quer”.

Um médico disse que “suas mãos estavam atadas” com uma paciente que tem mais de 90 anos que não estava tomando adequadamente sua warfarina e também não permitiu que o médico entrasse em sua casa. Um outro disse que teve que se comprometer com pacientes que usam lítio por causa de seus problemas de saúde mental, que recusaram a fazer os exames de sangue a cada três meses, ele aceitou fazer os exames a cada seis meses. Outros pacientes ativamente mudam suas prescrições porque acham que sabem mais – disse outro médico – ou então não tomam o medicamento pelo tempo necessário.

Professor Sir Peter Rubin, conselheiro do GMC, disse que ele vai falar com o departamento de saúde, o Colégio Real de Médicos(Royal College of GPs) e com Comissão de Qualidade de Cuidados (Care Quality Commission) sobre modos de melhorar as prescrições.

“Médicos são tipicamente ocupados, então nós temos que garantir que eles façam suas prescrições com a prioridade que precisam” ele disse. “Programas de computador eficientes podem ajudar a captar erros e assegurar o monitoramento,os farmacêuticos poderiam dar um valioso suporte e apoio” acrescentou.

Dr John Holden da the Medical and Dental Defence Union of Scotland ( União da Defesa dos Médicos e Dentistas da Escócia) disse que a MDDUS tem enfrentado um certo número de casos em que médicos tem problemas práticos em relação aos erros de prescrição, sendo que estes poderiam ser evitados facilmente. Em um caso, um médico prescreveu metotrexato diariamente, ao invés de semanalmente para um paciente com artrite reumatoide que teve uma piora em seu estado de saúde e precisou ser hospitalizado.

“Outras reclamações estão relacionadas aos medicamentos que requerem monitoramento constante como antidepressivos, essas prescrições são repetidas sem o acompanhamento e monitoramento suficientes”.

“Esses erros poderiam ser evitados se sistemas de prescrição eficazes fossem criados para monitorar pacientes e assegurar que as informações sobre as doses e a frequência dos medicamentos são precisas”.

O secretário de saúde, Andrew Lansley, disse : “A segurança do paciente é primordial. A grande maioria das prescrições são verificadas pelos farmacêuticos da comunidade, elem evidenciam e corrigem alguns erros quando dispensam os medicamentos. Os pacientes podem  confiar que os medicamentos que receberam são seguros e apropriados”.

“Nós estamos trabalhando para melhorar e aumentar o treinamento médico em habilidades de prescrição recebido pelos estudantes de medicina e estamos trabalhando com os médicos para analisar como podemos fazer um melhor suporte ou auxílio para eles trabalharem em conjunto com os farmacêuticos pra melhorar e aumentar a segurança e a eficácia da prescrição”.

“Nós continuaremos a trabalhar com médicos e farmacêuticos para reduzir os erros nas prescrições e fazer o melhor uso dos medicamentos”.

Este post é a tradução do artigo disponível em: http://forum.facmedicine.com/threads/mistakes-doctors-do-while-writing-prescriptions.10447/

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