Baixa produção de molécula no organismo aumenta incidência de doenças crônicas

Estudo a ser apresentado dia 13 de outubro no Brasil, mostra que a queda de Óxido Nítrico no corpo pode estar ligada a terapias clínicas e medicamentosas, levando pacientes a doenças cardíacas, diabetes e outras patologias

O Óxido Nítrico (NO, do inglês Nitric Oxide) é uma das menores e mais versáteis moléculas encontradas no corpo humano. Sua importância pode ser observada mesmo antes do nascimento, pois está envolvida no controle da circulação placentária e na regulação das contrações uterinas durante o trabalho de parto. Este gás, produzido pelos vasos sanguíneos do corpo, está envolvido no mecanismo que controla a memória tardia e no sistema cardiovascular. Na verdade, o NO desempenha um papel fundamental na regulação de inúmeras funções biológicas vitais. E a baixa produção no organismo pode ser a resposta para o aumento da incidência de algumas das doenças crônicas. A opinião é do médico e pesquisador porto-riquenho, radicado na Califórnia (EUA), Jorge Flechas. Estudo que comprova sua tese será apresentado dia 13 de outubro no III Congresso Latino-Americano da WOSAAM, que acontece em São Paulo. O trabalho, que foi publicado em várias revistas médicas e livros na América do Norte e em países da Europa, mostra como a baixa disponibilidade no organismo leva à doença.

Segundo o especialista, que é formado em Física pela Southern College Missionary, no Tennessee (EUA), e doutor em Medicina, com mestrado em Saúde Pública pela Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), a queda na produção desta molécula de gás no corpo ocorre rapidamente depois dos 40 anos de idade. E isso, pode ser resultado da genética ou do uso excessivo de antibióticos, do uso de antissépticos bucais, de anti-inflamatórios e outros medicamentos, além da falta de atividades físicas, má alimentação e uso do tratamento de hemodiálise.

“A descoberta do óxido nítrico e sua importância para o organismo foi um importante avanço na medicina moderna. Várias doenças crônicas são influenciadas pela falta de NO, entre elas o diabetes, a pressão alta, as doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais. Felizmente, já existem novas terapias farmacológicas modernas que, de forma segura e eficaz, ajudam a restaurar a produção de NO. É por isso que é necessário ter em conta as funções da molécula em pacientes em tratamento de outras doenças, para que novas terapias possam ser desenvolvidas. Entender a homeostase em cada paciente e como os tratamentos e procedimentos afetam o processo biológico podem resultar em um melhor atendimento, com melhores resultados clínicos”, explica Dr. Flechas.

 

Múltiplas funções do NO

De acordo com o médico, o NO atua nos sistemas gastrointestinal, respiratório, nervoso periférico, e no trato urológico e genital masculino. Também é um importante neurotransmissor, que atua na sinalização entre as células nervosas no cérebro, além de estar envolvido na defesa do organismo contra bactérias e infecções parasitárias. No sistema cardiovascular, a molécula tem ações protetoras e importantes, como induzir o relaxamento dos vasos sanguíneos, regulando o fluxo de células do sangue, a contração do miocárdio e a permeabilidade microvascular.

Na apresentação que fará no III Congresso Latino-Americano da WOSAAM, intitulada “Terapias Farmacológicas, Escolhas de Estilo de Vida e Deficiência de Óxido Nítrico: a Tempestade Perfeita”, Dr. Flechas menciona que a redução da disponibilidade de óxido nítrico é uma característica comum a diversos tipos de doenças cardiovasculares. Ele lembra que, com o avançar da idade, a capacidade do organismo de produzir NO cai, porém outros fatores contribuem para esta redução. Um deles é o uso de anti-inflamatórios inibidores da enzima COX-2, como o Celebra (celecoxibe), indicado para o alívio sintomático no tratamento da osteoartrose, artrite reumatóide e da espondilite anquilosante.

Outro fator que leva a deficiência da molécula de gás no organismo é a acloridria, ou ausência de ácido clorídrico no suco gástrico, que pode ser resultado de uso prolongado de inibidores da bomba de prótons, medicamentos usados para tratar algumas doenças estomacais, entre elas a úlcera gástrica e azia.

“Dada a importância da molécula de gás para o corpo humano, é fundamental reconhecer sua insuficiência, em termos de prevenção a uma série de doenças. Muitas práticas médicas e produtos farmacêuticos interrompem a produção de NO. E esta falta pode ser responsável por muitos efeitos colaterais. É necessário implementar mudanças no estilo de vida e buscar estratégias para restaurar a produção de óxido nítrico”, diz o Dr. Flechas.

 

Produzindo NO

O especialista, que vem ao Brasil pela segunda vez para participar do congresso anual da WOSAAM na América Latina, ressalta que uma dieta rica em beterraba e couve, e a prática de exercícios moderados são as chaves para manter a produção de Óxido Nítrico no corpo humano. O médico também lembra que o uso de medicamentos, como o Viagra, ajuda a estimular a produção, pois o nível da molécula de gás no corpo humano sobe quando se faz sexo. Ele diz que homens com idade superior a 55 anos que têm relações sexuais regulares a cada 48 horas devem viver, em média, 10 anos mais, em relação aos homens na mesma faixa etária que não fazem sexo.

As inscrições para o III Congresso Latino-Americano da WOSAAM, I Congresso Internacional da Sociedade Brasileira para Estudos da Fisiologia (Sobraf), VII Simpósio Internacional de Fisiologia Hormonal e Longevidade e II Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica podem ser feitas podem ser feitas pelos telefones (85) 3064-1679 ou (85)9992-0175. Os eventos acontecem, de 11 a 13 de outubro, no Hotel Maksoud Plaza, Alameda Campinas, 150, São Paulo. A programação completa pode ser acessada no site http://longevidadesaudavel.com.br/iiicongresso/. Mais informações pelo e-mailcongresso@longevidadesaudavel.com.br.

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