Cenário atual de acreditação em Home Care e melhores práticas, por Dra. Luiza Watanabe

Coluna escrita por: Dra. Luiza Watanabe – Pesquisadora e Doutora na área da assistência domiciliar; e Fundadora da empresa Dal Ben Home Care

Publicada em 08/10/2012.

De acordo com os dados do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e com a Organização Nacional de Acreditação (ONA), existem sete empresas de atenção domiciliar acreditadas. Dessas, quatro são certificadas pela Joint Comission International, como é o caso da Dal Ben Home Care, e outras três são ONA. A maioria das instituições é de São Paulo capital, mas existem algumas no Rio de Janeiro, Salvador e interior de São Paulo. Esse cenário sinaliza que, além da acreditação ser incipiente ainda no mercado, é um movimento que tem acontecido há apenas 6 anos e está, portanto, em um processo de maturação.

Na área hospitalar, a acreditação é vista como um processo de melhoria da gestão, mas ainda não conseguiu atingir a grande massa. Existem 6,5 mil instituições de saúde e apenas 200 são acreditadas.

Garantir um selo de reconhecimento de qualidade certamente impacta na empresa em termos organizacionais, uma vez que processos precisam ser revistos gerando um ciclo coeso na prestação de serviços, desde a entrada do paciente, com segurança na avaliação de elegibilidade, personalização da equipe multiprofissional, protocolos clínicos e assistenciais, qualificação de terceiros, gerenciamento de riscos, logística, gerenciamento de resíduos sólidos e o acompanhamento pós-alta do paciente, visando garantir a continuidade do processo de cuidado.

Um dos maiores investimentos é feito em educação e qualificação das equipes profissionais. Afinal, a acreditação requer melhorias na gestão dos processos, informações, pessoas e, consequentemente, no serviço entregue.

No caso da Dal Ben o processo de qualidade apresentou diversas melhorias, comprovadas através de indicadores, como:

  • Diminuição da infecção domiciliar, através de protocolos e acompanhamento multiprofissional de PCID (Prevenção e Controle de Infecção Domiciliar);
  • Melhora da qualidade da informação no prontuário domiciliar em 75%;
  • Em dezembro de 2011, houve a implantação do Projeto Casa Segura, que contemplou materiais e ações educativas aos profissionais, pacientes e familiares, o que contribuiu para a redução do índice de quedas. Durante seis meses após a implantação dessas ações o índice foi zero;
  • Aumento no índice de satisfação dos clientes em relação à prestação de serviço, hoje de 98%.

Acredito que o mercado de Home Care deve seguir a tendência hospitalar, uma vez que os pacientes, em grande parte, estão dando continuidade ao tratamento hospitalar, além daqueles que buscam promoção e prevenção de saúde.

Dicas

Hoje, existem no mercado duas metodologias de acreditação (JCI e ONA). Acredito que as empresas de assistência domiciliar que visam conquistar um selo de qualidade devem estudar qual a metodologia que os hospitais e instituições parceiras utilizam, para escolher uma metodologia em consonância com as entidades. Além disso, a metodologia deve ser avaliada, para certificar de que é aquilo que sua instituição busca.

Acredito que ambas acreditações melhoram os processos assistenciais e trabalham com foco na segurança do paciente. Como conheço melhor a JCI, senti como um dos principais benefícios a necessidade de evidenciar as questões educacionais (do paciente e família) com foco na segurança.

Em minha análise, existem 7 principais pontos, que nos permite validar as melhores práticas de assistência domiciliar baseada na qualidade:

1. Gerenciamento de Risco:

  •             Farmacovigilância (controle de medicamentos de alto risco, entre outros).
  •             Tecnovigilancia.
  •             Prevenção e Monitoramento de quedas, prevenção de úlcera por pressão, controle das interações medicamentosas.

2. Indicadores assistenciais clínicos e administrativos;

3. Educação dos pacientes e familiares;

4. Pesquisa de satisfação e nível de excelência;

5. Participação da equipe interdisciplinar;

6. Segurança da Informação e Integralidade do Cuidado;

7. Continuidade do tratamento com qualidade e segurança, após alta domiciliar.

 ***

Sobre a autora: Dra. Luiza Watanabe Dal Ben – enfermeira formada na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo em 1977, licenciada em Educação em 1980 pela Faculdade de Educação da USP, especialista em Administração de Serviços de Saúde e Hospitalar pela Faculdade de Saúde Pública da USP em 1991. Atuou na área hospitalar em assistência a cuidados intensivos e educação permanente durante 16 anos. Após esta carreira, fundou a Dal Ben Home Care em 1992. Pesquisadora na área da assistência domiciliar, concluiu o Mestrado em 2000, cujo tema foi “Instrumento para dimensionar horas diárias de assistência de enfermagem residencial”, e o doutorado em 2005, com o tema “Dimensionamento do Pessoal de Enfermagem em Assistência domiciliária: Percepção de gerentes e enfermeiras”. Por meio destas pesquisas, contribuiu para o desenvolvimento da prática da assistência domiciliar no Brasil, principalmente na classificação de pacientes em assistência domiciliar. É autora juntamente com a sua orientadora Raquel Gaidzinski do livro “Home Care Planejamento e Administração da Equipe de Enfermagem”, lançado em 1997.

About Autor

Conexão Home Care

Portal de Conteúdo e Informações da Atenção Domiciliar no Brasil.

1 Comentário

    • Matthew R Giese
      16/10/2012

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