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Comunicação deficiente entre a empresa e as equipes deixam pacientes perdidos no deserto

Apesar dos esforços contínuos para realizar a transição dos cuidados hospitalares para o domiciliar, os deslocamentos dos pacientes do hospital para casa ainda são surpreendidos com lapsos de falhas de comunicação, gerando problemas de confiança na família e onerando os custos dos provedores. Lapsos persistentes e sistêmicos na comunicação entre equipes, médicos – inclusive hospitalares -, provedores de saúde domiciliar e o responsável pelo paciente podem ser os culpados.

A continuidade no cuidado, quando alcançada, proporciona aos pacientes e responsáveis maior confiança, engajamento e crédito aos cuidados assistenciais que estão sendo prestados. A transição dos cuidados hospitalares para o domiciliar é um ponto crucial na assistência – é a porta de entrada – e na maioria das vezes depende de um conjunto de fornecedores e prestadores de serviços vinculados ao provedor dos cuidados, sem os quais não seria possível realizar a assistência – e que nem sempre estão alinhados.

Quando a transição não é realizada de forma plena e qualitativa, a probabilidade de rehospitalização sobe e a percepção dos pacientes ou responsáveis sobre a qualidade da assistência, sem surpresa, cai, inclusive em descrédito.

 

A comunicação é fundamental

A capacidade dos provedores de assistência domiciliar anteciparem as necessidades dos pacientes, participarem de um planejamento colaborativo de alta, quando é o caso, e oferecerem informações sobre as quais seus pacientes ou seus responsáveis possam atuar contribui para a permanência do paciente em casa.

Um dos maiores pontos de conflito em termos de prestação de cuidados ininterruptos em casa é a falta de comunicação – ou o ruído da comunicação – entre as empresas de home care, as equipes multiprofissionais e as operadoras de saúde. Isso provavelmente não é novidade às empresas, já que a má comunicação e a coordenação dos cuidados são vistas há muito tempo como um desafio.

Nesse sentido, não ter bons canais de comunicação especialmente quando as transições acontecem, em tempo real, e durante a assistência, e que documentem os acontecimentos é ruim.

Mesmo assim, quando a documentação tem informações precisas e importantes, as equipes podem ficar sobrecarregadas e às vezes incapazes de avaliar minuciosamente um ou outro formulário ou documento recebido acerca da assistência oferecida. Algumas pesquisas sugerem que as equipes passem tempo específico revisando os planos assistenciais para melhor entender e melhorar as interações de todos os personagens que participam da assistência.

Algo importante é que as pessoas em uma equipe se conheçam e estabeleçam maneiras de se comunicarem umas com as outras, de forma que possam confiar nas avaliações e nos pedidos realizados entre si.

Em um modelo baseado em valor – ainda não é o caso da assistência domiciliar brasileira – uma comunicação simplificada com instrumentos efetivos pode ser o diferencial da empresa à medida que mantenha conectadas todas as pontas ligadas à assistência do paciente.

As equipes muitas vezes se preocupam com o que acontece nas casas de seus pacientes, mas nem sempre têm tempo para acompanhar todos os acontecimentos, especialmente quando não são de natureza essencialmente assistencial – mas que poderia contribuir para a assistência.

Com uma comunicação mais forte, os provedores de saúde domiciliares podem ser os condutores entre equipes e pacientes, de uma assistência cada vez melhor.

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