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Descuidar da alta pode inviabilizar o Home Care

Na assistência domiciliar é preciso trabalhar com um plano de alta e com metas estabelecidas. A perspectiva dos cuidados em Home Care deve reforçar a autonomia do paciente, sua independência para os recursos custeados pela operadora de saúde, o que dependerá do grau de acometimento de cada paciente especificamente.

Aspectos da literatura nessa área explicitam que os riscos de inchar os planos assistenciais dos programas de Home Care torna-os não sustentáveis economicamente. Muito se discursa sobre a redução dos custos assistenciais com a deshospitalização do doente, mas ao se descuidar da perspectiva do desmame, a tendência é de que o paciente permaneça por muito mais tempo sob cuidados domiciliares do que no hospital, invertendo portanto a promessa da redução do custo. Estudo sobre os cuidados domiciliares, elaborado pelas enfermeiras Adriana Damke Klock, Rita Maria Heck e Sidnéia Tesmer Casarim, também chega a conclusões semelhantes a essa.

O alta do paciente na assistência domiciliar tem vantagens para o doente e para a família, sendo importante para a equipe responsável programar o melhor momento, de maneira a diminuir eventuais frustrações e expectativas irreais sobre o tratamento.

Do lado do principal financiador – o plano de saúde – o gestor da assistência domiciliar deve estar atento aos planos de alta – e cobrá-los do prestador da assistência –, como forma de otimizar a gestão dos custos assistenciais que impactam na taxa de sinistralidade da operadora.

Análise do último Caderno de Informação da Saúde Suplementar, publicado em março/13 pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, revela que nos últimos cinco anos esta taxa de sinistralidade subiu 4,6%, passando de 80,4% para a casa dos 85%. Em valores absolutos 4,6% de crescimento na sinistralidade significam um aumento de R$ 2,4 bilhões nas despesas dos planos privados de assistência à saúde.

Eis o motivo do cuidado das operadoras – e não é pra menos – em tratar com reservas a assistência domiciliar como uma cobertura a ser contemplada no rol de procedimentos de saúde de cobertura obrigatória. Ao concordar com a inclusão nesse rol pode a própria operadora estar inviabilizando, em médio e longo prazo, a manutenção de todos os demais procedimentos de saúde.

Se de um lado a necessidade de fazer o conhecimento do home care chegar às pessoas é urgente, de outro não se pode perder de vista que o estabelecimento de condições claras, uniformes e transparentes entre prestador e financiador é o caminho que fará com que essa modalidade de serviços esteja entre as melhores alternativas para o paciente.

Clique aqui para acessar os dados do Caderno de Informação da Saúde Suplementar.

 

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