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E agora, como credenciar o Home Care aos convênios?

Clube de Benefícios

Solicitar credenciamento a uma operadora de plano de saúde é algo simples, concluir o credenciamento, porém, não é fácil. E não rara são as vezes em que credenciado o serviço de home care ainda assim não se tem efetiva demanda de pacientes, pois o novo credenciado é mais um entre todos os demais que ali já se encontram.

Na atenção domiciliar em que os preços dos serviços às vezes são impeditivos para contratação por um particular, todas as empresas de home care empreendem esforços para credenciar o maior número de convênios possível. É preciso, apesar disso, refletir se de fato essa é uma boa opção para a empresa, uma vez que nem sempre as condições de valor atendem ao empreendedor e ao negócio. Isso sem contar com a percepção de glosas de procedimentos e recursos básicos e da demora do repasse financeiro referente ao serviço prestado.

O credenciamento adota um algoritmo simples para as operadoras de plano de saúde: número de empresas x demanda por atendimento na praça x tempo de atendimento. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a operadora do plano de saúde deve garantir o acesso do beneficiário aos serviços e procedimentos definidos como cobertura mínima obrigatória no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, no município onde o beneficiário os demandar, desde que esse local seja integrante da área de abrangência geográfica.

Note “…definidos como cobertura mínima obrigatória no Rol de Procedimentos…”. A atenção domiciliar não está no rol de procedimentos da ANS (crê-se por enquanto), o que significa dizer que os prestadores ali credenciados estão por exclusiva liberalidade do convênio, que a seu critério próprio estabelece quantas, quais e onde credenciar empresas. Eis um exemplo: a Bradesco Saúde que não credencia empresa de Home Care, as empresas credenciadas a essa operadora ali estão para cumprir demandas judiciais de beneficiários contra o convênio. E assim seguem outras operadoras.

Em um universo que compreende centenas de operadoras de planos espalhadas pelo Brasil a maioria está com o credenciamento fechado para o serviço de home care, salvo as entidades públicas regidas por edital de credenciamento que não podem negar o credenciamento (se a documentação estiver de acordo com o edital). O credenciamento está fechado pelo simples motivo de a quantidade de prestadores já credenciados na praça ser suficiente para atender a demanda, cuja cobertura do serviço é arbitrada pela própria operadora.

Conquistar o credenciamento de operadoras como CASSI, GEAP, Assefaz, Postal Saúde, Amil, Unimed, Allianz, Sulamérica, Saúde Caixa, entre outras, que estão entre aquelas que depositam regularmente demanda de pacientes aos prestadores, é muito difícil, salvo quando se avizinham condições extraordinárias e de relacionamento pessoal. Na base da sorte ou da oportunidade? Possivelmente.

Há no Brasil muitas empresas que promovem assessoria e consultoria de credenciamento a operadoras de planos de saúde. Mas não se engane, pesquise, pois trata mais de orientar a reunião da documentação e a melhor forma de apresentar o negócio ao convênio do que realmente efetivar o credenciamento.

A maioria das operadoras coloca à disposição a possibilidade de credenciamento dos serviços de saúde. E todos devem fazê-lo. Nesse sentido, algumas condições podem ser preliminarmente analisadas no sentido de tornar a proposta mais atraente:

  • Ofereça diferencial no serviço de atenção domiciliar, que seja perceptível de forma clara e objetiva para a operadora e cujas empresas já credenciadas não disponham.
  • Ofereça diferencial em termos de gerenciamento da assistência e controle efetivo dos custos dos serviços prestados.
  • Agregue valor aos serviços a serem entregues que seja perceptível de forma clara e objetiva e cuja operadora possa se beneficiar imediatamente, que já não sejam oferecidos pelas empresas credenciadas.

É preciso saber que credenciar um serviço ao convênio não significa sucesso no negócio, às vezes pode ser a derrocada no tempo, quando o credenciante não remunera de acordo com a qualidade das entregas realizadas, mas como bem entende, subtraindo não apenas valor da assistência, mas recursos básicos para a qualidade do serviço. “Pagar para trabalhar” é o que muitos prestadores de serviço comumente fazem, sob a estratégia de melhorar o ticket do serviço no tempo, ledo engano.

De forma não generalizada, aguardar mais de 120 dias para receber uma fatura depois de esgotados inúmeros esforços administrativos junto a operadora é estabelecer uma relação de ganha-perde (ganha operadora, perde prestador), ao final se contabilizada a despesa administrativa o prestador não ganhou dinheiro. Lembrando que ainda não nasceu operadora de plano de saúde que aceite que o beneficiário pague a mensalidade com mais de 120 dias.

Analise a praça onde está assentado o negócio, analise os concorrentes e identifique hiatos que possam ser preenchidos e oferecidos como diferencial à operadora, estruture uma apresentação e demonstre ao convênio não os seus serviços, mas porque ela está perdendo dinheiro ao deixa-lo de fora da rede credenciada, insista no seu posicionamento e demonstre de forma prática (com cases) que o modelo do seu negócio tem diferenciais.

Não pergunte à operadora se o credenciamento está aberto, conquiste a oportunidade de ele ser aberto para o seu serviço.

Editorial

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