Home Care é um freelance

Pesquisa do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) revela que o Brasil em 1,450 milhão de profissionais de enfermagem, dos quais 287 mil enfermeiros (19%), 625 mil técnicos de enfermagem (43%) e 533 mil auxiliares de enfermagem (36%), concentrados principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A pesquisa, entretanto, e infelizmente, não os diferenciou a partir das atividades exercidas, no momento da coleta dos dados, informação que poderia classificar os profissionais que atuam com a atividade da assistência domiciliar. Apesar disso, especula-se que mais de 94 mil técnicos de enfermagem exerçam algum tipo de atividade relacionada ao Home Care, 15% do contingente total desses profissionais.

O tema mão de obra, especialmente dos técnicos de enfermagem, tem sido a principal preocupação das gerencias de enfermagem na assistência domiciliar e das áreas de recursos humanos. Iniciativas bastante esparsas até contribuem para a qualificação de uns poucos vinculados (CLT) a empresas bem estruturadas, mas a maioria está à mercê de cooperativas cheias de intenções e de poucas ações efetivas neste caminho. É difícil, senão impossível, encontrar uma cooperativa de profissionais de enfermagem que trabalhe com um sistema de gestão de pessoas capaz de gerenciar o nível de qualidade e qualificação dos seus cooperados. Há sim, muitas planilhas em Excel, tabelas de Word, Access, mas nenhum sistema com regras bem definidas.

Boas intenções são bem-vindas, mas dependem de gestores com visão de negócio, com ferramentas tecnológicas à sua disposição, de dados e indicadores à mão para subsidiar respostas às demandas. Convido você prestador que trabalha com cooperativa a solicitar-lhes dados estatísticos sobre o contingente, quantos estão qualificados, quantos desqualificados, quantos foram afastados, etc… . Se de um lado as cooperativas não dão conta de um programa efetivo de qualificação, as empresas de home care aprenderam a falar mal dos técnicos de enfermagem. Querem bons profissionais, como se estes estivessem disponíveis, mas não se dão ao esforço de qualificá-los com qualidade, tão somente desqualificá-los.

Conversando com uns poucos foi possível constatar a total insatisfação com a remuneração paga pelas empresas e com o repasse das cooperativas, insatisfação com a inexistência de programas de benefícios e de crescimento dentro da empresa, e até da cooperativa. Para esses poucos, cuja opinião, dizem, é da maioria, a atividade de Home Care se trata de um freelance, enquanto se preparam para desafios maiores, entrevistas, outras profissões e até para o próprio negócio.

Se há uma área onde os profissionais não têm interesse de permanecer, nunca terá ela uma excelente qualidade na mão de obra, pois os bons saem e os ruins ficam, enquanto ruins forem.

Nas discussões sobre a mudança da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) está em voga a obrigatoriedade da celetização dos técnicos de enfermagem pelas cooperativas desses profissionais. A pergunta de bastidor é de onde sairá o dinheiro para custear a carga tributária, se a exceção virar regra. Dos tomadores? Dos prestadores? Das cooperativas?

Boas receitas ainda estão longe. Enquanto isso, uma recomendação é a criação de programas regionais e nacionais de qualificação da mão de obra da assistência domiciliar, onde todos os prestadores participem com sua cota patrocinal.

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Portal de Conteúdo e Informações da Atenção Domiciliar no Brasil.

1 Comentário

    • Denise van Aanholt
      08/10/2012

      Muito boa esta mensagem!! Realmente são poucos que se preocupam em qualificação. Ainda se tem muita rotatividade no quadro de enfermagem e falta de comprometimento por parte de todos. O Home Care é encarado como um trampolim para aprimoramento técnico. Quando se tem oportunidade de ingressar para uma unidade hospitalar com contratos mais seguros se vai!!

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