Home Care não é eterno

“… É importante ter critérios de elegibilidade para internação e para alta. É óbvio que trabalhamos com perfil de paciente de longa permanência, mas também com pacientes de maior rotatividade. Por isso, os dados de atendimento precisam ser analisados de forma estratificada por perfil de paciente. As associações e as empresas têm informações suficientes para mostrar, cada uma com seu perfil, que home care não é eterno”, assim conclui Dr. André Minchillo, ex-presidente do NEAD, ex-diretor do SINESAD e vice-presidente do Grupo Ideal Care, em publicação da Revista HD News intitulada “Quebra de Paradigmas”.

Essa é uma reflexão importante para o segmento da assistência domiciliar e um grande paradigma a ser quebrado: o de que os serviços de home care não têm alta. Um modelo consistente de assistência em casa deve estar calçado no prognóstico do paciente, no juízo antecipado da evolução e do eventual termo de uma doença ou quadro clínico sob os cuidados ou orientação da equipe assistencial.

A avaliação do paciente para um processo de admissão em assistência de home care capaz de predizer como a sua doença irá evoluir, e se haverá e quais são as chances de cura, deixa as partes envolvidas com mais condições de decidir sobre as alternativas disponíveis.

Não resta dúvida de que diferentes são os fatores que podem influenciar a evolução da doença de um paciente, independentemente do local onde esteja sob cuidados. Entretanto, ao se estabelecer processos de comunicação sistemáticos entre as partes interessadas nos momentos de ruptura do prognóstico de base, revelando os impactos para o paciente e para as demais partes, se estabelece transparência e confiança à modalidade de home care, especialmente para quem paga a conta.

De forma não generalizada, o home care deve ter começo, meio e fim e a família precisa ser informada a respeito disto no primeiro contato da empresa prestadora dos serviços e em alguns casos pela própria operadora do plano de saúde. A exemplo da operadora de plano de saúde que deixa bastante claro os serviços não cobertos no ato da contratação de um plano, a empresa de home care ao fazê-lo se coloca em condição eventualmente confortável quando precisar discutir a reorganização de serviços e insumos.

O temor da operadora de plano de saúde reside no desconhecido. E fazer assistência domiciliar não é navegar no desconhecido. Não trata simplesmente de avaliar e admitir um paciente, desenvolvendo a assistência tão somente a partir das respostas do doente. Trata de discutir com as partes assistenciais envolvidas formas eficazes de se fazer melhor os cuidados ao paciente, diminuindo, quando possível, o tempo de tratamento e a sua dependência para os recursos da fonte pagadora.

À medida que o quatro do paciente evolui e a família consegue enxergar de forma clara seu papel na assunção dos cuidados do doente, a aplicação de critérios de elegibilidade para a alta entram em cena.

Reconhecer a necessidade da transparência e da confiança entre as partes envolvidas na assistência domiciliar pode ser o caminho para que esta modalidade de serviço deixe de figurar como mera arbitrariedade de quem paga a conta, promovendo mudanças importantes da legislação e na regulamentação das coberturas dos planos de saúde.

 

Por Benedito Silva

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