Home Care: o paradoxal interesse por informação

A disposição da maioria dos administradores de empresas de Home Care ao fornecimento de dados é inversamente proporcional ao interesse deles na busca por informações: um verdadeiro paradoxo. Um desinteresse mascarado pela faceta do pode contar comigo, por uma disposição latente, incógnita, sonegada. Mas também velada na postura individualista, às vezes autosuficiente, compreensível dado o paradigma em que vivem.

Sem dados não temos informação, sem informação as conclusões são devera equivocadas. Sabe-se o mesmo sobre o mercado de home care: da inviabilidade de implementação de um modelo de recursos humanos celetizado, da incapacidade técnica de profissionais, da busca por modelos mais eficazes e menos onerosos administrativamente, da concorrência, de alternativas à modalidade assistencial. Mas não se tem dados para justificar teses e propor análises estatísticas.

O temor é sem precedentes quando se está em pauta fornecer dados para uma pesquisa, momento em que diferentes justificativas entram em cena. Embora não seja difícil compreender os argumentos, ainda assim avaliamos pela necessidade de quebra desse paradigma: o de que a empresa será prejudicada ao participar de pesquisas.

Os prestadores estão mais preocupados com o paciente de hoje, já o paciente de amanhã é outra história, que será resolvida apenas amanhã. Mas para um pensamento estratégico desenvolvido, o paciente de amanhã é tão importante quanto esse de agora. Questões sobre a possibilidade de inverter a lógica da demanda atual, sendo o paciente o árbitro da decisão, ficam para segundo plano.

Estatísticas informais dão conta de que a cada três meses uma nova empresa de home care acessa o mercado na região sudeste do Brasil, competindo com as já estabelecidas, brigando pela conta dos mesmos planos de saúde e aos poucos minguando rentabilidades já comprometidas. E quantos estão trabalhando para mudar o cenário? Poucos, senão nenhum.

Não dá para concluir com dados que a concentração da demanda está nos planos de saúde, embora se saiba disso; é impossível estabelecer correlação de demanda com os tipos de operadoras.

Exemplo desse desinteresse é a motivação das empresas de home care para participar do caderno de indicadores da assistência médico-domiciliar (Cindad), bem avaliado e oportuno por muitos gestores, mas cuja adesão ainda carece de apoio. O Cindad é a possibilidade de apresentar o setor ao mercado de saúde e revelar sua grandeza, números e possibilidades de negócios.

Ao que parece ainda teremos barreiras para trabalhar – essa do desinteresse à participação em pesquisas -, mas estamos apenas começando. O Cindad continua na fase de coleta de dados, pois apesar de tudo, tem muita gente interessada na informação. 

Da redação

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1 Comentário

    • Denise van Aanholt
      04/02/2013

      Excelente visão!! Infelizmente é isso mesmo que acontece! Espero que este cenário possa se modificar um dia, termos acesso a dados na atenção domiciliar é fundamental para evolução deste atendimento a saúde, mas acredito que tanto as empresas quanto as fontes pagadoras não tem muito interesse em divulgar dados relacionados a este setor….

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