Inteligência artificial: pontos de vista diferenciados na saúde

As palestras finais do IV Congresso de Acreditação CBA 2017 foram abertas com uma mesa sobre inteligência aumentada, projeto desenvolvido pela IBM. Diretor executivo do Watson Health, Fábio Mattoso, abriu sua participação destacando que a inteligência aumentada ou inteligência artificial nunca vai substituir o médico. “A computação cognitiva nunca vai substituir o ser humano. Ela é apenas uma ferramenta, tal qual foi o estetoscópio, a anestesia e o antibiótico”, declarou. Ele explicou que o Watson é uma plataforma de serviços cognitivos na nuvem capaz de ler e entender dados estruturados e não-estruturados.

O Watson foi desenvolvido entre 2006 e 2010 e teve sua ‘prova de fogo’ em 2011, quando participou do programa de tevê norte-americano Jeopardy, um jogo de perguntas e respostas e derrotou os maiores vencedores da competição. “Ele aprendeu a pensar como um ser humano, ranqueando as respostas em cima de evidências. Não faz simplesmente uma busca por palavras chaves e nem é machine learning“, contou Mattoso.

“O Watson pode ser usado para qualquer coisa. Como o foco aqui é a Medicina, ele pode ser aplicado em assistência diagnóstica, pesquisa clínica. Como ele faz a pesquisa clínica? Trazendo milhares de publicações oficiais, de credibilidade”, explicou. A mesa contou com a moderação da gerente de qualidade da Americas Serviços Médicos, Érica Mota de Sousa Batista. Convidado a debater o tema, o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Epimed Solutions, Márcio Soares, questionou Mattoso sobre as questões práticas da utilização da plataforma Watson na medicina. Soares lembrou que ainda falta a validação médica e Mattoso replicou que os estudos estão sendo feitos. “Precisamos reunir uma massa gigantesca de dados que possa validar a plataforma”, respondeu.

A mesa seguinte enfocou o IBM Watson Health na Oncologia, com a apresentação de Miguel Aguiar Neto, líder em saúde da IBM Brasil. Ele esclareceu como a plataforma é utilizada na análise dos atributos clínicos do paciente. De acordo com ele, a ferramenta busca as evidências e apresenta, para aquele conjunto de atributos, uma lista de caminhos terapêuticos, apontando quais os mais adequados e quais seriam prejudiciais à saúde do paciente. “Ele não faz diagnósticos, apenas apresenta linhas de tratamento”, completou.  Aguiar Neto destacou que o Hospital Mãe de Deus, no Rio Grande do Sul, é o único no Brasil que está testando o Watson, em fase experimental. O presidente do Americas Centro de Oncologia, Nelson Teich, questionou se o Watson pode apresentar melhores resultados do que o tratamento tradicional. Aguiar Neto esclareceu que a plataforma utiliza dados curados e não da internet. Teich ressaltou que um dos grandes problemas da informação é a qualidade dela. Ele entende que a plataforma Watson ainda se encontra em desenvolvimento, mas acredita que ela chegará a ser um suporte para os bons médicos. “Minha preocupação é que se incorpore uma nova tecnologia apenas porque é nova e não porque seja comprovadamente eficaz”, disse.

O representante da Fundação Champalimaud, Pedro Gouveia, chamou a atenção para o fato de Portugal utilizar os protocolos europeus de tratamento e apontou a inviabilidade da adoção da plataforma Watson, que segue os padrões norte-americanos.

A última mesa do Congresso teve como tema o Watson Health para imagens e foi apresentada pelo pesquisador da IBM, Rogério de Paula. Ele explicou que um simples exame de ressonância gera 10 mil imagens e que a grande questão é saber separar as que sejam de fato relevantes. Para isso, o Watson Health está aprendendo a interpretar as imagens, aliando tecnologia e informações de contexto. O presidente do Conselho Diretor do DASA, Romeu Domingues, acredita que “a inteligência aumentada pode melhorar a qualidade e pode chegar até áreas remotas”. Rogério de Paula destacou que um dos objetivos do Watson para imagens é justamente dar tempo para que os médicos possam se dedicar ao que é mais importante, enquanto o trabalho mais burocrático de seleção das imagens poderia ser feito por meio da inteligência aumentada.

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