Médicos estrangeiros para a Assistência Domiciliar. Solução?

A escassez de profissionais da saúde não é um problema que assola apenas as unidades básicas, de pronto atendimento e os hospitais públicos. Pelo contrário, o segmento da assistência domiciliar convive diariamente com o desafio de recrutar, e manter – além de tudo – médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, uma gama de técnicos da saúde qualificados. Muitas vezes não apresentados ao desconhecido Home Care, outros desinteressados em trabalhar com assistência domiciliar.

O desinteresse profissional é reflexo da falta de atratividade que a assistência domiciliar tem para o mercado, motivada pelas condições de remuneração oferecidas pelas empresas, pela manipulação das operadoras de saúde em cima das condutas técnicas, pelo não reconhecimento por algumas sociedades profissionais da contribuição do home care para a reabilitação do paciente, pela ausência da atividade nos currículos acadêmicos. Um conjunto de fatores que empobrecem os indicadores da assistência domiciliar.

Na última semana, o Brasil recebeu duzentos e seis médicos cubanos, que desembarcam no país para atuar na primeira etapa do programa Mais Médicos, de iniciativa do Governo Federal, por meio de acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Não obstante as críticas contrárias à importação de médicos e ações judiciais em curso, o programa tem o objetivo de suprir a carência de profissionais nas periferias e interior do país e atender milhões de brasileiros nos mais de 700 municípios que não têm nenhum médico.

O fato é que, críticas à parte, os profissionais já desembarcaram e em pouco tempo começam a prestar assistência aos pacientes. Sob a ótica de quem é contrário à iniciativa os profissionais não estão aptos a prestar o atendimento. Podemos nos enganar, contudo, acreditar que aquele que depende do atendimento compartilha dessa mesma opinião. Entre passar por omisso a escolher a melhor das piores alternativas disponíveis, resolveu o Governo Federal agir.

Obviamente o contexto de ações correrá às margens e, se lograr êxito, veremos mais um êxodo na saúde.

Cora Coralina já dizia que “o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada”, se ela estiver correta a proposta do Ministério da Saúde no curso de seu desenvolvimento deverá adotar diferentes formas que viabilizem o objetivo primeiro: atender as pessoas.

E desse ponto de partida padece a assistência domiciliar para atrair profissionais. A ausência de iniciativas coletivas de fornecedores, prestadores, organismos públicos, usuários e até operadoras de planos em busca de objetivos comuns. Mas o que se vê são apenas reclamantes, como se a iniciativa fosse responsabilidade exclusiva do prestador de serviço.

Não há receita de bolo para atrair profissionais ao Home Care, mas obviamente deve haver propostas que se em curso, por menos apoio que venham a receber, contribuirão na consolidação da assistência. E se disso depender a importação de profissionais, que se lance alguma iniciativa – a exemplo dos convênios realizados pelo ministério da saúde – a fim de ampliar a quantidade e a qualidade da saúde em casa.

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