O futuro dos processos assistenciais ao idoso

CBA e ISQua discutem o futuro dos processos assistenciais ao idoso

Em outubro, as maiores autoridades de saúde do mundo estiveram reunidas na capital escocesa durante a 30ª Conferência da International Society for Quality in Healthcare (ISQua). No centro dos debates, a melhoria da qualidade e segurança em saúde para a população, em especial, o futuro dos processos assistenciais frente ao envelhecimento populacional mundial e ao crescente acometimento de doenças crônicas nessa camada da população.

Integrante do Comitê de Acreditação da ISQua e Coordenador de Educação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), Heleno Costa Júnior, que participou da conferência em Edimburgo, juntamente com mais três membros do CBA (José de Lima Valverde Filho, Coordenador de Acreditação; Maria Manuela Alves dos Santos, Superintendente; e José Noronha, Assessor de Relações Internacionais – e também Board da ISQua), garantiu que a grande discussão do evento foi em torno do futuro dos processos assistenciais. “A maior longevidade implica em maior necessidade de qualificação e capacitação das instituições e profissionais de saúde para atender adequadamente este grupo populacional que cresce de forma progressiva”, salienta.

Segundo Heleno, esta discussão também estará na pauta da 31ª Conferência Internacional da ISQua, que será realizada de 5 a 8 de outubro do ano que vem no Rio de Janeiro, e que tem em sua coordenação científica e coordenação local, respectivamente, José Noronha e Maria Manuela.

De acordo com o Coordenador de Educação do CBA, as discussões acerca do envelhecimento populacional e a consequente mudança do perfil epidemiológico vai exigir que as instituições de saúde ampliem suas capacidades de cuidar desse crescente segmento de pacientes. Segundo ele, há que se buscar a ampliação na configuração dos perfis dos profissionais de saúde, para que estejam qualificados a cuidar, de forma apropriada, desse grupo, cuja previsão de organismos internacionais é de que, em 2050, o número de idosos irá ultrapassar o número de jovens na população mundial.

Como exemplo, Heleno cita a necessidade de se constituir equipes profissionais especializadas para cuidar dos idosos, entendendo e atuando frente as suas necessidades específicas: “O Brasil ainda não dispõe de instituições especializadas nesse tipo de cuidado, como aquelas que já existem em alguns países, como Portugal, onde está sendo desenvolvido o Programa de Acreditação Internacional para as chamadas Unidades de Cuidados Continuados Integrais (UCCI), voltadas para o público idoso ou com doenças crônicas.

Já são 15 unidades em processo, sendo 5 acreditadas pela JCI e as demais estão em processo de educação, por meio de uma parceria com o CBA, que tem enviado profissionais regularmente àquele país para desenvolver esse trabalho. Portugal conta, na atualidade, com cerca de 200 UCCIs, que são administradas pela União das Misericórdias Portuguesas. Canadá também é um exemplo de país onde a questão de cuidado e assistência aos idosos também já bastante avançada.”

Para Heleno, que também integra o Comitê de Acreditação da ISQua, comparados aos processos atuais, os processos assistenciais futuros deverão incorporar novas habilidades e competências, por parte dos profissionais, para lidar não somente com as doenças dos indivíduos idosos, mas também com suas relações em seu meio social, familiar e até mesmo laborativo, uma vez que o tempo de capacidade ativa dessa população vem aumentando nas últimas décadas, segundo dados do IBGE. “A necessidade de capacitação e qualificação dos profissionais nessa nova perspectiva de linhas de cuidados para idosos será um desafio importante para garantir a qualidade e segurança da saúde do futuro, não muito distante”, assiná-la.

As abordagens na conferência da ISQua também fizeram referência às instituições de saúde estarem preparadas para receber essa demanda. Heleno acredita que “podemos esperar um movimento mais consistente a partir das discussões atuais em torno do tema.” Considerando o momento atual, segundo ele, as instituições de saúde ainda não estão devidamente capacitadas para essa realidade que se configura no mapa populacional. “O foco assistencial ainda é a doença e não o indivíduo, o que deve mudar de forma significativa nas próximas décadas. Essa será a principal mudança a ser construída no perfil de cuidados das instituições. Como citado anteriormente, ainda é observada um número incipiente de profissionais, em especial de médicos, com qualificação para lidar com a população de idosos e suas necessidades especificas”, conclui o Coordenador de Educação do CBA, única instituição brasileira a ter um membro no comitê de Acreditação da ISQua.

As inscrições para apresentações de trabalhos na 31ª Conferência Internacional da ISQua já estão abertas e podem ser feitas através do site http://www.isqua.org/conference/rio-de-janeiro-2014/call-for-papers.

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