Tendências para o Home Care

Frente ao atual quadro de políticas de saúde, questões demográficas e sociais encontradas no Brasil, pode-se dizer que alguns fatores contribuem para o crescimento da atenção à saúde prestada em domicílio, são eles:

1. O aumento da população idosa

Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS – a população idosa é definida como aquela possui no mínimo 60 anos de idade, limite de idade válido para os países em desenvolvimento, no caso dos países desenvolvidos admite-se o limite de idade de 65 anos.

Os professores Carvalho e Andrade (2000) descrevem o envelhecimento como o aumento do número de anos vividos em conjunto com a evolução cronológica do indivíduo. Existem fenômenos de natureza biopsíquica e social, que proporcionam a percepção da idade e do envelhecimento. O envelhecimento é associado, algumas vezes, com a saída da vida produtiva pela vida de aposentadoria.

Segundo estudos do IBGE (2002) as estimativas para os próximos 20 anos indicam que a população idosa poderá exceder 30 milhões de pessoas, chegando a representar quase 13% da população brasileira. Os estudos mostram que a população de idosos vem crescendo mais rapidamente que a população de crianças.

Concomitante a isso, estudos apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que no Brasil mais de 85 % dos idosos apresentam uma enfermidade crônica e cerca de 15% dos idosos apresentam pelo menos 5 enfermidades crônicas, resultando na procura constante ao atendimento à saúde (IBGE, 2002).

Diante disso, a população idosa é considerada uma das maiores demandas em atendimento no Home Care, tanto quando se trata do tratamento da enfermidade como em sua reabilitação, devido à sua importância este assunto será discutido nos próximos módulos mais profundamente.

2. O aumento da incidência de Doenças Crônicas 

O aumento das doenças crônicas na população acarreta uma demanda de pacientes com necessidades de tratamento constante. O Home Care, neste sentido, evita a internação deste paciente, já que os cuidados a serem realizados na maioria das patologias consideradas como crônicas podem ser desenvolvidos no domicílio.

3. O alto custo no uso de tecnologias diagnósticas e de tratamento

Cada vez mais o investimento na área de saúde preventiva e curativa vem aumentando os custos das tecnologias diagnósticas, aumentando, consequentemente, os valores para manter o tratamento de pacientes no ambiente hospitalar, ou mesmo em forma ambulatorial de atendimento em hospitais ou centros diagnósticos.

Quando um Home Care está ligado a um plano de saúde ocorre a redução dos custos pelos usuários do plano mantendo uma qualidade de vida adequada sem interferir no desenvolvimento de ações para diagnóstico e tratamento. O Home Care pode agir de forma preventiva, focalizando os riscos das doenças antes que a mesma se instale no paciente, diminuindo custos com tecnologia diagnóstica, já que estará envolvido na saúde preventiva.

4. O aumento do interesse de cuidados próprios 

Mesmo não sendo tão conhecida pelos pacientes, por ainda haver o paradigma de que sempre a internação hospitalar é o melhor caminho, a modalidade de atendimento domiciliar Home Care vem mostrando, principalmente nos maiores centros do país, a facilidade e resolutividade no atendimento domiciliar.

Com a conscientização, tanto familiares como os próprios pacientes compreendem esta forma de gerenciar o cuidado como uma maneira mais humanizada, já que, na maioria das situações os pacientes possuem um cuidador informal, alguém que está presente por todo o tempo no domicílio e que será responsável pela detecção de sinais e sintomas.

5. Os recursos financeiros insuficientes destinados à saúde pelo governo 

Quanto menos recursos são destinados à saúde pelo governo menos necessidades da população são atendidas. Com isso, muitos indivíduos buscam apoio na saúde privada, inserido-se neste contexto as empresas de Home Care e os Planos de saúde.

Alguns hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde utilizam como estratégia de ação o atendimento domiciliar para diminuir seus custos com pacientes internados, sendo uma maneira de direcionar o cuidado qualificando sem, contudo, intervir na terapêutica.

6. A necessidade de gerenciamento de custo de riscos pelos planos de saúde 

A atuação do Home Care nos Planos de Saúde está diretamente relacionada à qualidade de vida dos usuários e à diminuição dos custos relacionados às internações e/ou aos tratamentos empregados nas situações de diagnóstico e tratamento. Nesta visão utilizam-se ações preventivas de acompanhamento de usuários mediante os riscos no aparecimento de doenças.