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Oxigênio adulterado pode levar paciente domiciliar a óbito

As pessoas podem estar recebendo no pulmão um oxigênio que é para colocar na solda de ferramentas.

Operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) coloca em alarme a qualidade e a certificação do oxigênio medicinal que está sendo comercializado no país.

Milhares de cilindros de oxigênio medicinal circulam diariamente no brasil tendo como destino estabelecimentos hospitalares, clínicas, consultórios e as casas dos pacientes que estão sob assistência domiciliar. Pacientes com doença pulmonar, por exemplo, podem ter baixos níveis de oxigênio em seu corpo e, às vezes, precisam usar oxigênio extra (suplementar) para trazer seus níveis de oxigênio a um patamar saudável, método conhecido como oxigenoterapia.

Nesta última segunda feira (30) policiais do Gaeco realizaram a operação “Cilindros” no Paraná para combater a adulteração de oxigênio hospitalar em 35 cidades do norte e noroeste do estado. De acordo com o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, sete pessoas foram presas, sendo cinco em flagrante.

Segundo o Gaeco, três empresas instaladas em Maringá, Cianorte e Campo Mourão vendiam oxigênio industrial usado para soldas, como se fosse para uso medicinal. As investigações apontam ainda que essas empresas também adulteravam os cilindros, lacres, datas de validade e de inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O grupo era investigado desde maio deste ano.

Ainda de acordo com o Gaeco, centenas de estabelecimentos eram abastecidos por esses cilindros de gás adulterados.

São várias irregularidades. Eles tiram o oxigênio de um cilindro grande e preenchem um cilindro menor, vendendo para o consumidor deste cilindro maior uma quantidade abaixo do que deveria ser vendida. Isso acarreta ainda em crime contra a saúde pública. Eles pegam do cilindro industrial e vendem como se fossem cilindros hospitalares. A pessoa está recebendo no pulmão um oxigênio que é para colocar na solda de ferramentas”, explica o promotor Laércio Januário de Almeida.

Outras dez empresas continuam sendo investigadas pelo Gaeco, que está verificando se a prática é institucionalizada.

 

Atenção redobrada na hora de comprar oxigênio medicinal

No segmento de assistência domiciliar milhares de pacientes recebem diariamente tratamento com o uso de oxigênio medicinal. No entanto, o controle da qualidade e a certificação de conformidade desses cilindros e do seu conteúdo é questionável, pois o processo de fornecimento do gás é terceirizado pelas empresas de home care.

É possível contar nos dedos as empresas de assistência domiciliar que detém algum processo para controlar a conformidade do oxigênio medicinal dispensado para a casa do paciente. Na maioria das vezes a empresa descobre o erro, a não conformidade somente após a reclamação do familiar e, em casos extremos, após a intercorrência clínica do paciente. Não há controle amostral, a empresa simplesmente transfere a responsabilidade ao fornecedor.

Ocasiões como a da operação “Cilindros” servem para que o segmento repense os processos de dispensação desse tipo de medicamento ao paciente domiciliar e as formas de melhor assegurar que o doente não está recebendo gato por lebre.

 

Adulteração pode causar mortes

Ainda conforme o promotor, essa utilização coloca em risco os pacientes, já que os cilindros industriais não possuem a proteção devida para armazenar o oxigênio.

O cilindro verde tem um sistema de produção para compor o oxigênio hospitalar, que é um oxigênio com maior grau de pureza. Já o cilindro preto serve para distinguir o cilindro industrial, que não é com uma maior tecnologia, uma camada de proteção. Há o risco de que, nesses cilindros, tenham resíduos que não pode ter no oxigênio hospitalar. O grau de pureza do oxigênio hospitalar é muito melhor. Aqui está se fazendo o verdadeiro gato por lebre“, comentou.

De acordo com o diretor médico do Hospital Santa Rita de Maringá, Jair Biato, a adulteração nos cilindros de oxigênio pode causar graves problemas para os pacientes.

Quando o paciente chega descompensado na parte respiratória, eu ofereço o oxigênio como tratamento. Se o oxigênio tem uma qualidade ruim, é como se estivesse oferecendo um antibiótico ruim. Quanto maior a gravidade do doente, maior é a dependência do oxigênio, e mais problema esse doente pode ter. Eu posso ter repercussão no cérebro, no rim, no pulmão, onde todos esses órgãos vão utilizar oxigênio. Isso pode acarretar no óbito de alguns pacientes”, explica o médico.

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1 Comentário

    • Rubens Guimarães
      02/12/2015

      Deixar claro que esse entendimento de que as OPS’s também são responsáveis por essas relações de trabalho parte do MPT e não apenas uma visão específica do SINFITO-RJ.

      Reply

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