Parto domiciliar é desaconselhável

Diário do Nordeste – Diferentemente do órgão do Rio de Janeiro, o Conselho Regional de Medicina do Ceará ainda não proíbe a prática
O parto domiciliar tem sido uma alternativa para futuras mães que desejam fugir do parto hospitalar e dar à luz no conforto de suas casas. Porém, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec), apesar de não proibir, não aconselha a prática, pois mãe e filho ficam expostos a complicações que podem trazer graves consequências.

De acordo com o obstetra e conselheiro do Cremec, Helvécio Neves Feitosa, quando o parto é feito em casa, se algum problema acontecer, o quadro pode se agravar consideravelmente até a gestante chegar ao hospital Foto: Kid Júnior

O obstetra e conselheiro do Cremec, Helvécio Neves Feitosa, explica que todos os partos – domiciliares ou hospitalares – são arriscados, já que geralmente não dá para prever como irá terminar. Contudo, nos partos hospitalares, as intervenções em caso de problemas, como hemorragia ou retenção de placenta, são feitas de forma imediata.

“Se a mãe estiver em casa e algo inesperado acontecer, com o tempo gasto para levá-la ao hospital, o problema pode se agravar consideravelmente”, explica o obstetra. Feitosa ainda considera que complicações no parto podem acontecer em qualquer lugar, seja no hospital ou em casa, entretanto, ele não aconselha gestantes a se arriscarem, já que o parto se trata de um procedimento sensível, exigindo cuidado e atenção. “Caso feito em casa, que a mãe esteja ciente dos riscos”, acrescenta.

A obstetra e professora da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac) Zenilda Bruno não é contra os partos domiciliares, mas garante que a insegurança da saúde da mãe e filho neste tipo de procedimento pode ser maior. Para ela, mesmo aquelas mães que não apresentam riscos aparentes podem passar por algum tipo de complicação, então, aconselha não arriscar.

“O lado positivo de um parto no ambiente hospitalar é que médicos e obstetras têm instrumentos e procedimentos eficientes para garantir a saúde e bem-estar da mãe e do filho”, destaca.

Ainda de acordo com a professora, as gestantes sabem o que é melhor para si e têm o direto de optar por um parto humanizado, desde que este seja feito com toda a segurança necessária e com pessoas experientes, não pondo em risco a vida da mãe ou do bebê.

Escolha

Para Semírames Ávila, enfermeira obstetra, o local do parto deve ser escolha da mulher e ser realizado onde ela se sentir confortável e segura com seu bebê. Ela destaca que o parto hospitalar, na maioria das vezes, não respeita o processo fisiológico, normal e natural do corpo da mulher, o que é importante.

“O parto é um evento natural e não deve receber grandes intervenções, como acontecem em alguns hospitais”, explica.

A enfermeira ainda lembra que, no Brasil, a prática do parto humanizado tem crescido e as pessoas têm dado uma atenção maior ao assunto, porém, adverte que, primeiro, a gestante deve buscar informações sobre os tipos de partos e só depois tomar uma decisão. Semírames conta que, há três anos, a média de partos domiciliares feitos por ela e uma equipe de profissionais chegava a três durante todo o ano. Em 2011, o número subiu para cinco. Em 2012, até o momento, já foram cinco partos humanizados. Segundo a enfermeira, no Sudeste e Sul do País, a prática é mais frequente.

Proibição

A resolução do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) proíbe os médicos de realizarem partos em casa. Assim, as mães que optarem por ter seus filhos em casa não podem mais contar com a ajuda de um médico obstetra. O parto domiciliar continua sendo permitido no Estado, mas o médico que realizá-los pode ser processado disciplinarmente e até mesmo ter o registro cassado.

Com a resolução, o Cremerj visa fazer um alerta às mães que pretendem ter filho em casa, mostrando que essa prática tem complicações que podem trazer sequelas graves para o seu bebê e para ela mesma, e argumenta que o parto fora do hospital não traz segurança.

A decisão também proíbe a participação de parteiras ou qualquer pessoa que não seja profissional de saúde em partos em ambientes hospitalares. A resolução também se estende às doulas, que são profissionais especialistas no acompanhamento das mães durante a gravidez, função reconhecida pelo Ministério da Saúde.

Insatisfeitos, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ) e entidades de defesa do parto domiciliar pretendem encaminhar um pedido ao Ministério Público solicitando medidas contra a resolução do Cremerj, a qual consideram ditatorial. O Rio é o primeiro Estado do País a ter esse tipo de proibição.

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