Pessoas que cuidam nunca se desmotivam  

Esse é um dos resultados de estudo publicado pela revista da Escola de Enfermagem da USP, acerca dos fatores associados à atenção domiciliária como subsídios à gestão do cuidado no âmbito do sistema único de saúde.

A identificação de variáveis associadas ao tipo de atenção domiciliária (AD) dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) contribui para a gestão do cuidado na Rede de Atenção à Saúde (RAS). Esta é a conclusão de estudo publicado na revista da Escola de Enfermagem da USP, realizado pelas pesquisadoras Maria Raquel Gomes Maia Pires, Elisabeth Carmen Duarte, Leila Bernarda Donato Göttems, Nívea Vieira Furtado Figueiredo e Carla Aparecida Spagnol.

Segundo as autoras as variáveis associadas a classificação do tipo de Atenção Domiciliária identificadas nessa pesquisa subsidiam a tomada de decisão da equipe sobre as prioridades e a melhor forma de atender às necessidades de saúde daqueles que precisam de cuidados domiciliares no território em saúde, subsidiando a gestão do cuidado ampliado nas Redes de Atenção à Saúde no SUS.

Ainda segundo o estudo, a perspectiva de rede expressa nas microferramentas de organização dos serviços de saúde – como as linhas de cuidado, a coordenação da clínica, dos casos, das condições de saúde e das listas de espera – pode ser potencializada pelo monitoramento de variáveis que influenciam na classificação do tipo de Atenção Domiciliária pelas equipes, calcadas no contexto sócio familiar, na avaliação da AVD, na anamnese e na clínica dos usuários.

Na investigação foram estudadas as variáveis clínicas, socioeconômicas e familiares que caracterizavam todos os usuários em atenção domiciliária e seus cuidadores na área de abrangência de duas Unidades Básicas de Saúde de Belo Horizonte, com população de 5.736 usuários acima de 60 anos.

Como parte dos resultados, os usuários que se expressaram sobre os sentimentos e a dinâmica da vida familiar (72,8%) deixaram de fazer as coisas no dia-a-dia, como trabalho ou lazer (91,5%), sentiam-se tristes ou solitários (53%) e alguns relataram alterações no relacionamento afetivo entre os membros da família (20%). Essa situação era extensiva aos cuidadores, que abandonaram suas atividades sociais ou laborais (73,5%), por vezes com sentimentos de tristeza, solidão ou cansaço (19,5%) e perturbações no relacionamento familiar (32,1%).

As pessoas que cuidam dos usuários frequentemente sentem dor (média 3,03) e cansaço (média 3,19) ao final do dia, mas nunca se desmotivam para cuidar da pessoa enferma no domicílio (média 1,86) e não sentem dificuldades para dormir (47,1%); porém raramente estão dispostos para as atividades de lazer (média 3,03).

Os domicílios em geral têm condições adequadas de limpeza e ventilação (71%), mas possuem alguns itens de risco para os idosos e os acamados, como piso escorregadio (42,9%), umidade de piso e parede (37,7%), tapetes com possibilidade de quedas (34,2%), degraus (82,4%), rampas (42,9%) e desnivelamentos (66,6%).

 

Acesse o estudo completo.

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