Destaque

SIBRAD: Troca de experiências e alinhamento de conceitos. De olho no Futuro

O SIBRAD encerra o calendário de eventos da atenção domiciliar em 2016. Nos últimos três dias o XIII Simpósio Brasileiro de Atenção Domiciliar, organizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, tendo o Conexão Home Care entre os apoiadores, reuniu 531 participantes de 21 estados brasileiros e expôs 38 trabalhos. O evento contribuiu para o aperfeiçoamento do setor.

Com tema central direcionado à perspectiva de modelos inovadores e sustentáveis para o avanço da atenção domiciliar no Brasil, trouxe exposições, experiência e conhecimento de profissionais de diferentes áreas da cadeia dos serviços da assistência em casa.

Antônio Capone Neto e Rogério Sillicani Ribeiro, do Hospital Israelita Albert Einstein, abriram os painéis iniciando as discussões acerca dos modelos sustentáveis de atenção à Saúde. Acompanhando o tema da sustentabilidade, o advogado Solón Cunha, abordou a questão da terceirização e a judicialização da saúde, em painel dedicado à sustentabilidade jurídica para o enfrentamento dos nós críticos da assistência à saúde.

Quando o assunto é terceirização de mão de obra, Solón é categórico ao dizer que “os empresários precisam sair do ar condicionado”, referência do advogado ao fato da não participação de representantes patronais durante votações sobre o tema em Brasília. Para Solón, o envolvimento patronal é imprescindível, sem o qual não se pode falar em superação dos desafios da sustentabilidade desse setor, que hoje mantém diferentes modelos de contratação.

“os empresários precisam sair do ar condicionado”, Solón Cunha.

Sob o tema Judicialização, Antonio Britto, do Interfarma, comenta que “a judicialização agrava o problema da saúde, mas não é ela o problema da saúde”. Na avaliação do profissional o problema transcende fatores além da judicialização.

Outro convidado a discorrer sobre o tema, o professor Dr. Giovanni Guido Cerri, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), apresentou indicadores relativos ao volume de processos no judiciário. Para o Giovanni estima-se que o número de ações neste ano se avolume em R$ 7 bilhões, espelhando o efeito da chamada judicialização no sistema de saúde.

Representando a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Martha Regina de Oliveira expôs o Projeto Idoso Bem Cuidado e abordou modelos internacionais de como manter o idoso em casa com a utilização de recursos tecnológicos e visitas de equipe multidisciplinar. Modelos como esse buscam evitar as internações em instituições e até as internações hospitalares pelo fato de proporcionar ao idoso o cuidado adequado no que se refere à alimentação, uso da medicação e auxilio no banho.

A acreditação dos serviços de saúde também marcou as discussões do simpósio, em especial a certificação dos provedores dos serviços de home care. Para Fernanda Gomes, da SOS Vidas, “a certificação é apenas um método. As coisas não podem acontecer por causa do selo da acreditação, mas, sim pela busca da qualidade”, ressalta. Já na avaliação de Ana Merchan, da operadora de planos de saúde Omint, a empresa não identifica diferenças na prestação dos serviços entre empresas acreditadas e não acreditadas”.

“a certificação é apenas um método. As coisas não podem acontecer por causa do selo da acreditação, mas, sim pela busca da qualidade”, Fernanda Gomes.

Outro assunto na pauta, a situação da regulamentação dos serviços e a falta de crescimento do setor também ocupou a plenária. Segundo Fernando Fernandes, da Saútil, de 4 a 5% dos custos com saúde são com Home Care e esse índice não se altera significativamente ao longo dos anos. Ao analisar os indicadores de custos Fernandes indaga o motivo por que o setor não cresce. Na avaliação de Ari Bolonhezi, médico e sócio da empresa Home Doctor, o crescimento tem um responsável.

“A falta de regulamentação talvez seja a principal responsável pelo baixo crescimento do setor”, comenta o Bolonhezi.

Nessa edição o evento recebeu a coordenadora de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Mariana Borges Dias, que buscou apresentar o que falta para o avanço e consolidação da atenção domiciliar na rede de atenção à saúde. Segundo Mariana entre os principais desafios se destaca a necessidade da manutenção do financiamento federal do programa Melhor em Casa e sua ampliação nos próximos três anos.

O SIBRAD encerra o calendário de eventos da atenção domiciliar. Estando entre as principais iniciativas do setor no país mais uma vez responde às expectativas dos participantes, que tiveram a oportunidade de trocar experiências e alinhas conceitos relevantes.

About Autor

Conexão Home Care

Portal de Conteúdo e Informações da Atenção Domiciliar no Brasil.

Deixe uma resposta

%d bloggers like this: