Sistema de saúde é falho no cuidado do idoso

Se até 2050, a população idosa acima de 65 anos será maior do que o número de crianças até 14 anos de todo o mundo, o caminho aponta para aumento da demanda nos cuidados de longa duração. Paul vanOstenberg, vice-presidente da JCI, ressaltou durante o II Congresso Internacional de Acreditação que embora se fale em sistema de saúde, o que se tem na saúde hoje não é de fato um ‘sistema’, já que existem enormes lacunas entre os ambientes de cuidados, principalmente entre o hospital e o local para onde o paciente vai depois da alta hospitalar. E essas transições entre um cuidado e outro são especialmente importantes no caso de pacientes idosos, que costumam sofrer de múltiplas doenças. “A responsabilidade não acaba quando o cliente entra em uma ambulância e vai para outro lugar. A comunicação falha entre as unidades de cuidados faz com que a pessoa seja readmitida no sistema de saúde, resultando em custo e desperdício – de 25 a 45 bilhões de dólares, por ano, nos Estados Unidos”, apontou.

O vice-presidente da JCI ressaltou que precisa haver metodologias de transição entre: o atendimento primário (médico da família) e o especialista (quando a patologia demanda um encaminhamento); o atendimento primário e os médicos do hospital; as equipes do hospital; os turnos de enfermagem; e médicos e enfermeiros. Além disso, precisa haver uma forma de comunicação entre toda essa cadeia e ohome care, os cuidados de longa duração e até mesmo com a pessoa que cuida do paciente em casa. Como saída, ele recomendou estabelecer políticas e procedimentos padrões de comunicação para a transição – o que passar, para quem passar, de que forma passar, de que forma obter retorno para que se saiba que a comunicação realmente foi recebida por alguém.

Gerente de Qualidade do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), Carla Behr, que participou do painel O Cuidado mais seguro para o paciente no ambiente externo do hospital, revelou que grande número de eventos adversos, incluindo lesões permanentes e até a morte, ocorrem em atendimentos realizados fora do hospital. De acordo com ela, pesquisa da Weill Cornell Medical College constatou que, em 2009, o número de indenizações por negligência pagas e comunicadas ao National Practitioner Data Bank para eventos ocorridos em ambiente ambulatorial foi semelhante ao número no ambiente hospitalar.

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