Técnica em enfermagem aplica golpe de R$ 364 mil em idosa do DF

Por Carlos Carone.

A profissional, que deveria zelar pela saúde da paciente, fez viagens, comprou celulares de última geração, bolsas e relógios de marca.

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso de uma idosa de 74 anos, vítima da técnica em enfermagem que prestava atendimento domiciliar por meio do serviço de home care. Cartões de débito foram usados para saques e compras num total de R$ 364 mil. Fabiane do Nascimento Chaves, que deveria zelar pela saúde da paciente, fez viagens, comprou celulares de última geração, bolsas e relógios de marcas famosas, além de reformar e mobiliar imóveis próprios.

A família da idosa, que é aposentada pelo Senado Federal e sofre de enfisema pulmonar e paralisia nas duas pernas, começou a desconfiar da atitude da profissional em dezembro do ano passado, quando duas folhas do talão de cheques da aposentada desapareceram.

Em seguida, R$ 14 mil foram debitados da conta-corrente da mulher.

“Descobrimos que foram dois cheques no valor de R$ 7,5 mil. Com muito custo, conseguimos reaver os valores”, contou o genro da aposentada, Johnson Rodrigues, que é policial militar reformado e pede para não ser divulgado o nome da sogra.

Rodrigues explica que, apesar de desapontada, a mulher gostava muito do trabalho feito por Fabiane, que falsificou a assinatura em um dos cheques. “Ela acabou devolvendo o dinheiro, e a minha sogra acabou perdoando, pois é uma pessoa de bom coração”, disse. No entanto, em janeiro deste ano, os golpes recomeçaram de forma intensa. Entre janeiro e maio, a família identificou gastos que chegaram a R$ 364 mil.

 

Senha

Fabiane descobriu a senha numérica do cartão de débito da aposentada, que dá direito a gastos diários de até R$ 3 mil. A técnica em enfermagem comprou bolsas da grife italiana Gucci, que custaram R$ 18 mil, dois iPhones 7 — de R$ 3,5 mil cada —, pagou viagens a Salvador (BA) para 10 pessoas e ainda mobiliou e fez reformas em sua casa. Tudo ao longo de apenas quatro meses. “Até uma adega com vinhos importados ela montou dentro de casa, sempre com o dinheiro da minha sogra”, contou Rodrigues.

Quando tentava usar o cartão da aposentada para comprar um terceiro iPhone 7, Fabiane teve dificuldades, já que a família havia desconfiado das grandes retiradas feitas na conta da aposentada. Indignada, a técnica em enfermagem ligou para o dono da loja onde tentava comprar o celular e se fez passar pela filha da vítima.

O telefonema acabou sendo gravado pelo comerciante, que já havia entregado os outros dois iPhones para Fabiane. A entrega ocorreu enquanto a mulher fazia um bronzeamento artificial em uma clínica especializada no Guará. O tratamento estético custou R$ 12,3 mil, pagos com dinheiro da vítima, segundo os familiares.

Segundo o comerciante, ele decidiu gravar a conversa porque desconfiou que havia alguma coisa errada, pois “ninguém compra três iPhones assim em tão pouco tempo”.

 

Investigação

O caso está sendo investigado pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). Fabiane chegou a ser levada para se explicar sobre a denúncia de estelionato mediante fraude. Alguns objetos apreendidos na casa da técnica em enfermagem, supostamente comprados com o cartão da aposentada, foram apreendidos pela polícia. A reportagem tentou entrar em contato com Fabiane, mas seus telefones estão em poder da Polícia Civil.

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