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Terapia por pressão negativa em Casa no tratamento de feridas complexas

Clube de Benefícios

A terapia por pressão negativa é um tipo de tratamento ativo da ferida que promove sua cicatrização em ambiente úmido, por meio de uma pressão subatmosférica controlada e aplicada localmente.

Atualmente, no Brasil, há diversos modelos e marcas de curativos comerciais e dispositivos baseados na terapia por pressão negativa. Tais marcas possuem diferenças entre si, como em relação ao tipo de terapia disponível, ao material de interface, ao reservatório, ao dispositivo computadorizado (programação da terapia, alarmes sonoros, etc), ao tipo de instalação (hospitalar ou domiciliar), entre outras.

Na atualidade, as feridas consideradas difíceis de tratar, chamadas feridas complexas, têm recebido cada vez mais atenção de médicos e enfermeiros (envolvidos diretamente nos cuidados, tratamento e uso de novas tecnologias), bem como dos gestores da área da saúde (preocupados com o impacto que o tratamento das feridas gera nos custos institucionais). O aumento da prevalência dessas feridas deve-se, principalmente, ao envelhecimento da população e aos traumas nos grandes centros urbanos.

A terapia por pressão negativa é composta por um material de interface (espuma ou gaze), por meio do qual a pressão subatmosférica é aplicada e o exsudato é removido. Esse material fica em contato com o leito da ferida com objetivo de cobrir toda sua extensão, incluindo túneis e cavidades.

O material de interface é coberto por uma película adesiva transparente que oclui totalmente a ferida em relação ao meio externo. Em seguida, um tubo de sucção é conectado a esse sistema e ao reservatório de exsudato, que é adaptado a um dispositivo computadorizado. Esse dispositivo pode permitir a programação de parâmetros para fornecer uma pressão subatmosférica no leito da ferida, possui alarme sonoro que indica eventual vazamento de ar pelo curativo e pode indicar a necessidade de troca do reservatório.

Quanto ao tipo de terapia, a pressão subatmosférica pode ser administrada de modo contínuo (sem interrupção), intermitente (com ciclos programados de interrupção intercalados com os de terapia), ou associado com instilação de soluções (com ciclos programados de instilação intercalados com ciclos de remoção da solução e ciclos de terapia). A terapia intermitente tem como objetivo acelerar a formação de tecido de granulação e a terapia com instilação é indicada para o tratamento de feridas infectadas.

O material de interface pode ser composto por espuma ou gaze. Há evidências de que ambas fornecem os benefícios da terapia por pressão negativa, com algumas particularidades. A grande maioria das espumas é composta de poliuretano, com poros de diâmetros variando de 400 a 600 micras (que facilitam a transmissão das forças de sucção ao tecido e a drenagem do exsudato). As espumas possuem maior elasticidade, o que favorece sua adaptação ao leito da ferida, e permitem maior contração da ferida, otimizando a aproximação de suas bordas.

Contudo, o tecido de granulação pode crescer para dentro dos poros da espuma, o que pode causar pequenos traumas e dor durante sua retirada, principalmente se mantidas por mais de três dias no leito da ferida.

A gaze é composta de fibras de algodão dispostas em múltiplas camadas. O tecido de granulação geralmente não cresce para dentro das fibras da gaze, a remoção é menos dolorosa e ela pode ser impregnada com solução antimicrobiana. Entretanto, a porosidade das diferentes camadas de tecido não é coincidente (o que pode dificultar a transmissão de forças de sucção ao tecido e a drenagem de exsudato). Por possuir menor elasticidade, leva a menor contração da ferida e a aproximação das bordas é mais limitada.

Com relação às características histológicas e morfológicas, há evidências de que a cicatrização com espuma e gaze são similares. Na prática clínica, alguns autores afirmam que a terapia por pressão negativa com espuma está associada com maior rapidez na formação de tecido de granulação e maior contração das bordas da ferida em comparação com a terapia por pressão negativa com gaze, porém mais estudos clínicos são necessários para confirmar tais características.

As espumas possuem tamanhos e formas de apresentação variados, de modo que algumas possuem particularidades relacionadas à sua principal indicação. A espuma convencional é composta de poliuretano, mas há espumas de poliuretano impregnadas com prata para uso em feridas infectadas. Há também espumas compostas de álcool polivinílico que possui a vantagem de ter menor aderência ao leito, sendo indicada para uso sobre enxertos de pele e em feridas cavitárias ou tunelizadas, uma vez que sua remoção é facilitada. Para uso na cavidade abdominal, em contato com vísceras, há espumas que possuem prolongamentos com proteção plástica multiperfurada associada a espumas pré-cortadas.

A terapia de instilação de soluções para tratamento e limpeza de feridas infectadas pode ser associado com a terapia por pressão negativa. Além disso, outras conformações da espuma podem facilitar seu uso, como aquelas que já vêm pré-cortadas e aquelas que permitem aplicação da terapia por pressão negativa em locais mais difíceis do corpo como em feridas plantares, uma vez que permite a adaptação do conector distante da lesão possibilitando a deambulação do paciente.

 

Figura 1. Paciente masculino, 58 anos, paraplégico. A) Úlcera por pressão na região lombar esquerda, com leito da ferida repleto de tecidos desvitalizados. B) Aplicação da TPN após desbridamento cirúrgico. C) Aspecto após TPN, com melhora do tecido de granulação no leito da ferida, antes da enxertia de pele. D) Pós-operatório com cobertura cutânea da ferida, após integração satisfatória do enxerto de pele.

 

 

 

Fonte: Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC)

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