Vida longa à saúde

Profissionais de saúde se reúnem para discutir os impactos do envelhecimento da população para a saúde, no II Congresso Internacional de Acreditação

Mais de 600 profissionais da área de saúde estiveram reunidos nos dias 15 e 16 de agosto, no Rio de Janeiro, para discutir os impactos do envelhecimento populacional e o futuro da saúde para essa camada da população que não para de crescer. Como evoluir nos cuidados de longa duração para manter a qualidade de vida por mais tempo foi a discussão central do II Congresso Internacional de Acreditação, promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) em parceria com a Joint Commission International (JCI).

Duas conferências internacionais foram o destaque do evento: a de Tracey Cooper, presidente da International Society for Quality in Health Care (ISQua) e de Paula Wilson, presidente da JCI, ambas organizações sem fins lucrativos que trabalham para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde e segurança dos pacientes em cerca de 100 países no mundo.

Na conferência Qualidade social para pessoas idosas: como avaliar?, Cooper salientou que é preciso rever as Metas do Milênio e o progresso dos países no sentido de buscar essas metas. “Conforme a população envelhece, novas metas deverão ser estabelecidas”, ponderou ela, observando que a maior longevidade já está fazendo elevar outros números em relação a fatores que não estão dentro das metas. “Dados da World Alzheimer Report 2010 demonstram um aumento nos casos de demência; com uma previsão de alta muito preocupante até 2050, principalmente nos países de baixa e média renda, onde o número de pessoas com o problema sobe de menos de 40 milhões em 2010 para quase 120 milhões em 2050”, ressaltou. Nos países ricos, os dados apontam para um crescimento mais linear e discreto (mantendo-se abaixo dos 40 milhões).

A presidente da ISQua lembrou também que o número de idosos irá ultrapassar o número de crianças e que haverá grande crescimento populacional generalizado. Para se preparar para esses cenários, ela sugeriu algumas estratégias como: manter as pessoas saudáveis por mais tempo, maior foco na educação para os cuidados com a saúde pessoal, criar um modelo de cuidados integrados e investir no uso eficaz, financeiramente e clinicamente, de tecnologias, além de investir em aumentar a importância do papel dos cuidados primários e realizados nas comunidades.

Já a presidente da JCI, Paula Wilson, ressaltou que também é necessário melhorar a qualidade do cuidado. “Ainda há muitos erros, enganos e infecções que não deveriam acontecer no mundo todo. Processos rotineiros, rotineiramente falham. Precisamos assumir responsabilidade pelo paciente, melhorar a comunicação entre as transições nos cuidados e assumir uma política de tolerância zero para erros”, comentou defendendo o emprego da cultura da alta confiabilidade. Ela acrescentou que o trabalho tem que ser no sentido de prevenir. “Eventos adversos são catastróficos”, adverte.

Cooper, que também participou do painel A importância da segurança dos Pacientes de Cuidados de Longa Duração na Acreditação, defendeu que as instituições precisam garantir a segurança dos idosos no ambiente hospitalar e apontou que são precisos cuidados especiais para “essa população diferenciada”. A presidente da ISQua citou a medicação como um dos exemplos de gap potencialmente perigoso. “Estudos mostram que 35% das pessoas com idade avançada tomam mais que 10 remédios por dia. Quando esse idoso tem um problema agudo de saúde e vai a um hospital, ele pode acabar recebendo duas doses de um mesmo medicamento, ou pode acabar tendo uma interação medicamentosa desastrosa”, alertou.

Ela lembrou ainda que os cuidados em saúde para com o idoso, que tem mais problemas crônicos de saúde e, muitas vezes, fica debilitado por conta dessas doenças, são cíclicos, o que o leva a receber tratamento em diversos ambientes que vão além da saúde assistencial. “São cuidados em casa, pela família e por cuidadores, em creches para idosos, casas de repouso… E esses ambientes têm diferentes fronteiras e existem ‘buracos’ nos quais podemos cair quando passamos de um lado para outro”, ressaltou, acrescentando que o dever das pessoas envolvidas na área de saúde é criar mecanismos para reduzir esses espaços, integrando e conectando essas fronteiras.

Fonte: SB Comunicação

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