A prevenção de acidentes domésticos como estratégia para a prevenção da saúde e a redução dos custos na saúde suplementar.

A prevenção de acidentes domésticos como estratégia para a prevenção da saúde e a redução dos custos na saúde suplementar.

No Brasil, as lesões decorrentes de acidentes representam a terceira causa de morte entre crianças de zero a 9 anos de idade, passando a ocupar a primeira posição na população de adultos jovens (10 a 39 anos), decrescendo para a sexta posição entres os idosos (60 ou mais anos de idade).

Estes são indicadores amplos produzidos pelo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) e alcançam acidentes referentes ao trânsito, a envenenamento, a afogamento, a quedas, a queimaduras e outros) e violências (relacionadas a agressões, a homicídios, a suicídios ou tentativas, a abusos físicos, sexuais, psicológicos, a negligências e outras.

Vamos entender esses dados…

No Brasil ainda não temos indicadores que demonstrem a dimensão nacional da ocorrência de acidentes domésticos, isto é, aqueles que acontecem dentro de nossas casas. Em 2001, por iniciativa do Ministério da Saúde (MS), foi lançada a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências (PNRMAV), com o objetivo de vigilância, prevenção e atenção às vítimas de causas externas e promoção da saúde.

Na ocasião, essa política instituiu um marco institucional no enfrentamento das violências no âmbito das políticas de saúde no país.

Em 2005, com a construção e pactuação em conjunto com secretarias estaduais e municipais de saúde, de uma agenda nacional de vigilância, prevenção e controle dos acidentes e violências, a PNRMAV cria musculatura. E em 2006, com a criação do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), que tem o objetivo de construir um diagnóstico mais sensível sobre a ocorrência desses tipos de agravos (acidentes e violências), passa a referenciar indicadores.

O VIVA, no âmbito do Sistema Único de Saúde(SUS), trabalha em duas frentes:

  1. na notificação compulsória e contínua de eventos, realizada através dos serviços de saúde, mas que não estabelece nenhum acidente doméstico como de notificação compulsória; e
  2. na forma de inquéritos, que utiliza de modelos estatísticos para definir os municípios e serviços de saúde que serão estudados (neste caso, no âmbito dos acidentes domésticos, são pesquisados apenas eventos de quedas ocorridas em residências).

Os dados apresentados no início referem aos inquéritos do VIVA.

Embora já se encontre melhores condições de analisar no âmbito do SUS a ocorrência de quedas ocorridas em residências, os dados obtidos pelo VIVA apresentam grande limitação com relação à capacidade desse tipo de fonte de informação (os inquéritos), pois não é capaz de garantir a representatividade necessária para conhecimento dos dados no âmbito nacional.

De maneira isolada, algumas publicações do DATASUS exibem dados sobre a utilização dos serviços de saúde por pessoas acometidas por “acidentes e lesões”, mas sem identificar se o local da ocorrência foi um residência, por exemplo. Esse é o caso da Pesquisa Nacional de Saúde (última publicação em 2013).

Complementarmente, organizações não governamentais, organizações da sociedade civil, sociedades representativas de categoriais profissionais, hospitais públicos e universitários como é o caso do Criança Segura, da Rede Nacional Primeira Infância e da Sociedade Brasileira de Pediatria, por exemplo, abordam periodicamente dados relacionados a acidentes domésticos, mas em geral de fontes de pesquisas, inquéritos e estudos pontuais e específicos, com limitação de abrangência.

Ou seja, além dos inquéritos do VIVA, não há qualquer outro indicador que espelhe a realidade nacional quanto aos acidentes domésticos.

Algumas publicações indicam que os acidentes representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil, sendo mais de 5 mil mortes e cerca de 137 mil hospitalizações todos os anos no País para essa população.

“O impacto econômico causado pelos acidentes no Brasil pode ser medido diretamente por meio dos gastos hospitalares, que representa aproximadamente quase 10% das despesas com internações por todas as causas e vale ressaltar que essas hospitalizações representam um gasto de aproximadamente 60% superior à média geral de todas as internações (CORREA, 2006).”

Hoje, uma das principais fontes de dados relacionados à ocorrência de acidentes domésticos está no Corpo de Bombeiros. As corporações registram as ocorrências e muito bem relacionam os motivos dos atendimentos, discriminando acidentes domésticos por categoria de acidente, mas esses dados não se comunicam com o sistema de saúde.

No âmbito da saúde suplementar, os indicadores disponibilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não exibem entre os motivos de uma internação hospitalar ou entrada em nível ambulatorial ou de pronto socorro, a categoria de acidentes domésticos. Não é possível saber pelos dados da ANS, a quantidade de quedas, cortes, fraturas, intoxicação, entre outros dados, gerados pela saúde privada.

Contudo, atuar na prevenção dos acidentes domésticos como uma estratégia para a prevenção da saúde faz sentido para as partes interessadas dentro de um ecossistema da saúde preocupado com o melhor gerenciamento de sinistralidade, pois isso pode garantir que o beneficiário das ações não seja submetido aos danos causados por um acidente dessa natureza e consequentemente não busque o recurso do serviço de saúde.

Por outro lado, o desconhecimento da proporção desse potencial ganho de desempenho de se lançar mão de ações para a prevenção de acidentes domésticos versus pagar a conta do acontecimento, tendo em vista a indisponibilidade de dados, é o desafio para qualquer gestor que está a frente da fonte pagadora.

Isso, entretanto, não deve ser obstáculo para o gestor buscar alternativas e atuar sobre a prevenção desses eventos.

Agora no dia 30/09 estamos laçando uma iniciativa que busca preencher esse hiato e oferecer a oportunidade de melhor gerenciamento de carteira de beneficiários. Trata-se do Casa mais Segura (C+S), aplicativo que ajuda a prevenir a ocorrência de acidentes domésticos dentro de casa.

Os serviços C+S utilizam o algoritmo XScope® (algoritmo com patente requerida), que analisa os mais diversos agentes causadores de acidentes domésticos e exibe ao usuário e ao cliente corporativo (quando é o caso) o nível de risco em um ambiente residencial, considerando diferentes categorias de acidentes, permitindo aos gestores das fontes pagadoras atuarem efetivamente sobre gatilhos ativos, muito além de ações de educação e primeiros socorros.

Sabe-se que existe uma inter-relação dos acidentes domésticos com o comportamento familiar, ou seja, o estilo de vida, fatores econômicos, sociais, culturais e crenças. Sabe-se também que existe inter-relação de acidentes domésticos na interação da pessoa com determinados produtos, os chamados acidentes de consumo, que também acontecem em casa.

O Casa mais Segura busca compreender a dinâmica da ocorrência desses eventos para entregar mais valor ao beneficiário (usuário do serviço) e ao cliente corporativo.

Acesse www.casamaissegura.tec.br

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