A utopia de uma tabela na Assistência Domiciliar

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A utopia de uma tabela na Assistência Domiciliar

A ausência de articulação efetiva entre os fornecedores de serviços de home care é um dos aspectos que mais enfraquece o setor no país. A concorrência em si garante um importante espaço à oportunidade de discutir entre pares – concorrentes – aspectos que melhor regulem a assistência domiciliar como um todo e em especial a maneira como as fontes pagadoras se organizam para remunerar por esse serviço.

O problema não está em encontrar disposição para que empresas sentem à mesa e discutam o que mais as incomodam, o ponto primeiro é fazer com que a iniciativa da reunião assuma um caráter sistematizado, organizado e com metodologia, que seja capaz de não apenas discutir, mas de formular propostas concretas e formas de implementá-las.

Aqui e ali gestores se reúnem ocasional e informalmente para troca de ideias, atualização de informações mercadológicas, insatisfações, entre os mais diferentes problemas que sondam o segmento da assistência domiciliar. Reuniões, entretanto, se perdem na informalidade, sem que nada se materialize, sem que se traga ao papel um conjunto de ações ou um planejamento comum capaz de alcançar todos aqueles que compartilham dos mesmos problemas.

Em tempos de vacas magras, de atrasos ainda maiores nos pagamentos e de arrocho econômico, como vem se mostrando 2015, discutir em conjunto a criação de mecanismos que possam melhorar o salário dos profissionais atuantes no home care, viabilizando a operação das empresas no tempo pode representar a melhor estratégia para todos. E isso é simples, basta que agendas nada informais passem a ser sistematizadas e organizadas para esse fim.

Disso pode resultar a proposta de uma tabela comum organizada pelas próprias empresas do segmento de home care e direcionada às fontes pagadoras, que estabeleça padrões mínimos de remuneração aos plantões, visitas, sessões, atendimentos, tudo aquilo que envolve diretamente à mão de obra assistencial e sem a qual nenhuma empresa aceite oferecer o seu serviço.

Ao estabelecer uma tabela de remuneração dos profissionais assistenciais fica mantido em todos os termos o posicionamento individual de cada organização, suas potencialidades e pontos fortes nos aspectos internos, seus diferenciais e sua capacidade negociais de implantar preços diferenciados aos de seus concorrentes, especialmente em insumos.

O gerenciamento de custos da organização não deve comprometer o piso salarial do profissional – tabela –, ainda que a organização esteja voltada para um modelo meritocrático. Pelo contrário, a tabela passa a ser um referencial e a empresa a seu critério pode estabelecer internamente condições diferenciadas de comissionamento e bonificação por desempenho.

A assistência domiciliar se utiliza de uma mesma mão de obra, o profissional que trabalha na empresa da zona sul é aquele que também atua na empresa da zona norte, ou seja, se trata do mesmo profissional. Ao padronizar a remuneração mínima dos profissionais, em margens que garantam não somente um pagamento justo, mas a viabilidade da organização, será possível preservarmos mão de obra qualificada no segmento.

E para isso as empresas têm força, basta que também tenham coragem, disposição e disponibilidade para criar essa agenda de encontros e traduzir a informalidade em ideias e objetivos. E uma coisa é certa, os profissionais ao observarem a mobilização do segmento em prol de uma melhor remuneração estarão mais propensos a somente aceitarem trabalhar em empresas que assumam o compromisso de adotar o modelo de tabela estabelecido, deixando empresas “independentes” a ver navios.

Nos últimos cinco anos muitas iniciativas de congressos, seminários, workshops se perderam na proposta de organizar e dar continuidade a um planejamento comum para o segmento. E está na hora de começarmos a discutir isso.

 

Da redação.

 

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