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Assistência Domiciliar no centro das atenções

Aconteceu na última sexta-feira (23) o III Fórum para a Cadeia de Atenção Domiciliar. O evento que reuniu 150 participantes coloca mais uma vez a no centro das atenções do mercado de saúde, especialmente no momento em que o segmento busca encontrar soluções para a sustentabilidade das organizações, a padronização de processos e o equilíbrio nas relações de trabalho entre empregadores e recursos humanos.

Marcaram presença o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (), o Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Atenção Domiciliar à Saúde (), as operadoras de planos de saúde CASSI, OMINT, Seguros Unimed, Sulamérica, Allianz Seguros, Bradesco Seguros entre outras, além de organizações acadêmicas (FGV) e de interesse social.

Nessa terceira edição as discussões estiveram direcionadas à análise das perspectivas do mercado para o futuro, sob os diferentes temas que alcançam o home care. Todos foram guiados a uma análise do contexto atual da assistência e ao reconhecimento das reais perspectivas e riscos, num cenário em que a saúde suplementar perdeu cerca de 1,8 milhões de usuários nos planos privados de saúde e o país já soma 12 milhões de desempregados.

Ana Maria Malik, coordenadora da GVSaúde/FGV, colocou em evidência o impacto que o envelhecimento populacional deve trazer à saúde suplementar e a necessidade de reorientar o foco do setor para a estruturação de uma rede de atendimento eficaz.

“O envelhecimento não é problema de saúde, é só faixa etária. A coisa mais importante é perceber que a gente tem uma rede”, Ana Maria Malik.

Para Flávio Augusto Merichello, Gerente de Saúde e Prevenção e Odontologia da Omint, o perfil da chamada população idosa se transformou nos últimos anos e com o aumento da longevidade já não é possível generalizar os mesmos cuidados às faixas etárias acima dos sessenta anos de idade, pois nessas faixas muitos continuam no mercado de trabalho.

“Será que a pessoa que tem 60 anos é idosa? Os 60 anos são os novos 40. E essa é uma discussão que a sociedade tem que encarar com muito mais seriedade”, Flávio Augusto Merichello.

A regulamentação dos serviços por parte da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – agente regulador dos planos privados de saúde – também esteve na pauta como um dos assuntos relembrados. Quando o assunto é regulamentação ninguém mais questiona a sua urgência e importância para a assistência domiciliar. Por outro lado muitos acreditam que a ANS tem escolhido outras prioridades para o mercado de saúde, o que tem retardado as atenções para o home care.

Em um debate amplo com a presença de representantes de muitos lados, operadora de plano de saúde, hospital e empresa de home care foram discutidas as iniciativas que cada elo da cadeia da saúde tem feito para melhor gerenciar as consequências do envelhecimento na forma como as estruturas de saúde conduzem suas atividades.

A médica geriatra, Dra. Márcia Oka, do Hospital Santa Catarina, em sua exposição reforçou algumas iniciativas importantes para reduzir readmissões hospitalares. “É preciso programar a alta 48 horas antes, oferecer uma abordagem centrada na equipe, oferecer orientação adequada sobre os medicamentos, atentar para a reconciliação medicamentosa, apresentar um plano de acompanhamento pós-alta e um serviço de tele-saúde” registrou a médica.

A empresa Geriatrics apresentou resultados de estudo em que demonstrou sua capacidade de redução de custos a partir da celetização da mão de obra. Segundo a diretora da empresa, Dra. Patrícia Ferreira, a organização foi capaz de reduzir em quase 20% (R$ 7 milhões) seus custos após adotar um modelo de celetização. Contudo, na avaliação de Ari Bolonhezi, médico e presidente do Sinesad, é preciso melhor reflexão sobre a dinâmica do mercado da atenção domiciliar com relação aos modelos de contratação legalmente disponíveis, especialmente quando o objetivo é buscar a sustentabilidade do setor.

Para Bolonhezi não há correlação direta entre celetização e qualidade, se referindo ao fato de que a forma de gestão de cada organização é determinante para os resultados.

oportunidades de negócios não equilibradas fazem com que não se dê a devida atenção às necessidades dos cuidados oportunos na assistência”. Dr. Ari Bolonhezi.

Convidado a promover uma reflexão sobre os desafios da manutenção de cuidados pós-intervenção domiciliar dentro de um modelo de atenção integral, Paulo Rogério, Gerente de Atenção à Saúde da CASSI, expôs a forma de trabalho da caixa de assistência a partir de uma estratégia de saúde da família e como os processos se entrelaçam com a assistência domiciliar. Para o gestor o mais importante é cuidar do processo de desospitalização.

“Não adianta ser muito hard na desospitalização sem antes preparar todo o processo”. Paulo Rogério.

Outro desafio do setor de atenção domiciliar está nos modelos de remuneração aplicados na relação entre contratantes e prestadoras, formatos estes herdados do setor hospitalar. As análises e discussões foram coordenadas por Sérgio Candio, Diretor do NEAD, Viviane Mathias, Gerente de Assistência Domiciliar da Sulamérica e pelo Dr. Gabriel Palne, CEO da empresa Geriatrics.

Em sua exposição Candio destacou estudo desenvolvido pelo NEAD, a partir de dados de empresas associadas, tratando a evolução dos custos das prestadoras por nível de serviço oferecido (6h, 12h, 24h, assistência supervisionadas, outros). Para Candio as correções dos preços dos serviços das prestadoras não têm sido suficientes para suportar o aumento dos custos com a execução da assistência, situação que coloca em risco a sustentabilidade do setor.

Já Gabriel Palne trouxe para os participantes uma reflexão sobre os diferentes modelos de pagamento da saúde incorporados em mercados mais desenvolvidos como o americano. Segundo Gabriel é preciso mais compromisso do setor para experimentar as outras formas de pagamento existentes, sem o que é impossível iniciar um processo de mudança para a sustentabilidade.

“Nós estamos muito mais concentrados em fazer contratos de prestação de serviços, do que fazer contratos de parceria”, Gabriel Palne.

Coube a Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, representando pelo Sr. Paulo Cobellis, Conselheiro Efetivo, o papel de abordar os aspectos éticos e humanos que são primordiais para atingir o objetivo assistencial do atendimento domiciliar. Cobellis enfatizou que é preciso ter “cuidado com as questões plásticas que se apresentam durante o trabalho, quanto mais ético for, mais profissional será”. Para o conselheiro é urgente o estabelecimento de uma política institucional das empresas de home care para o uso das redes sociais na casa do paciente.

O Fórum foi encerrado com a proposta de debater a ideia da “Desospitalização 2.0” em referência a evolução tecnológica e como seu uso pode se traduzir em segurança para o paciente durante o processo. Maria Inês Onuchic Schultz, Superintendente da Seguros Unimed encerrou o ciclo de apresentações. Em sua fala a executiva reforçou “o home care é uma ferramenta de trabalho no contexto hospitalar”.

Apesar do fato de que muitos temas ainda serão objeto de continuadas discussões e pautas de eventos futuros, os participantes saem convictos de que a iniciativa do fórum dá um passo a mais para o crescimento da atenção domiciliar.

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