E agora, como credenciar o Home Care aos convênios?

E agora, como credenciar o Home Care aos convênios?

Solicitar credenciamento a uma operadora de plano de saúde é algo simples, concluir o credenciamento, porém, não é fácil. E não rara são as vezes em que a empresa, já credenciada, não tem efetiva demanda de pacientes, pois o novo credenciado é mais um entre todos os demais que ali já se encontravam.

Na atenção domiciliar em que os preços dos serviços são impeditivos para contratação em regime particular, todas as empresas de home care se esforçam para credenciar o maior número de convênios possível.

É necessário analisar se a estratégia do credenciamento é uma boa opção para a empresa, pois nem sempre as condições de tabelas de preços, estabelecidas pelos convênios, atendem às necessidade do seu fluxo financeiro. Além do que, o prestador do serviço está sujeito ao prazos de pagamento e a ocorrência de glosas técnicas e administrativas, que impactam nas receitas.

O credenciamento adota um algoritmo simples para as operadoras de plano de saúde: número de empresas X demanda por atendimento na praça X tempo de atendimento.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a operadora do plano de saúde deve garantir o acesso do beneficiário aos serviços e procedimentos definidos como cobertura mínima obrigatória no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, no município onde o beneficiário os demandar, desde que esse local seja integrante da área de abrangência geográfica.

Note “…definidos como cobertura mínima obrigatória no Rol de Procedimentos…”. A atenção domiciliar não está no rol de procedimentos da ANS (crê-se por enquanto), o que significa dizer que os prestadores ali credenciados estão por exclusiva liberalidade do convênio, que a seu critério próprio estabelece quantas e quais empresas e onde credenciar.

 

Eis um exemplo: a Bradesco Saúde, que não credencia empresas de Home Care, dispõe de uma pequena rede de prestadoras de serviços apenas para cumprir demandas judiciais daqueles beneficiários que ajuizaram ação contra a seguradora. Isto torna mais difícil a aceitação de um pedido de credenciamento.

Em um mercado que compreende centenas de operadoras de planos espalhadas pelo Brasil (1.170 segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS), a maior parte delas está com o credenciamento fechado para o serviço de home care. O credenciamento está fechado pelo simples motivo de a quantidade de prestadores já credenciados ser suficiente para atender a demanda, cuja cobertura do serviço é arbitrada pela própria operadora.

Exceções são notadas nas entidades públicas regidas por edital de credenciamento, que não podem negar o credenciamento (se a documentação do prestador atender as condições do edital).

Conquistar o credenciamento de operadoras como CASSI, GEAP, Assefaz, Postal Saúde, Amil, Unimed, Allianz, Sulamérica, Saúde Caixa, entre outras, que estão entre aquelas que depositam regularmente demanda de pacientes aos prestadores, é muito difícil. Arrisca-se dizer, salvo quando se avizinham condições extraordinárias e de relacionamento pessoal. Na base da sorte ou da oportunidade? Não sabemos.

Há no Brasil muitas empresas que promovem assessoria e consultoria de credenciamento a operadoras de planos de saúde. Mas não se engane, pesquise, pois trata mais de orientar a reunião da documentação e a melhor forma de apresentar o negócio ao convênio do que realmente efetivar um credenciamento.

 

A maioria das operadoras coloca à disposição a possibilidade de credenciamento dos serviços de saúde. E todos têm condições de fazê-lo. Algumas condições podem ser preliminarmente analisadas no sentido de tornar a proposta mais atraente:

  • Ofereça diferencial no serviço de atenção domiciliar, que seja perceptível de forma clara e objetiva para a operadora e cujas empresas já credenciadas não disponham.
  • Ofereça diferencial em termos de gerenciamento da assistência e controle efetivo dos custos dos serviços prestados.
  • Agregue valor aos serviços a serem entregues que seja perceptível de forma clara e objetiva e cuja operadora possa se beneficiar imediatamente, que já não sejam oferecidos pelas empresas credenciadas.

Credenciar a empresa ao convênio não significa sucesso no negócio, às vezes pode ser a derrocada, quando o tomador do serviço não remunera o prestador de acordo com a qualidade das entregas realizadas, mas como bem entende, subtraindo todo o valor da assistência. É quando o prestador deve sair da ilusão de que tudo é uma questão de tempo para dar certo.

Muitas empresas de home care estão “pagando para trabalhar”, sob a estratégia de melhorar o ticket e a margem do paciente e do contrato no tempo, ledo engano.

De forma não generalizada, aguardar mais de 120 dias para receber uma fatura depois de esgotados inúmeros esforços administrativos junto a operadora é estabelecer uma relação de ganha-perde (ganha operadora, perde prestador), ao final se contabilizada a despesa administrativa o prestador não ganhou dinheiro. Ainda não nasceu operadora de plano de saúde que aceite que o beneficiário pague a mensalidade com mais de 120 dias.

  • Analise a praça onde está o seu negócio;
  • Analise os concorrentes;
  • Identifique hiatos que possam ser preenchidos e oferecidos como diferencial à operadora (perceba também se a operadora está preocupada com esse diferencial – nem todas estão);
  • Estruture uma apresentação;
  • Demonstre ao convênio porque ela está perdendo dinheiro ao deixa-lo de fora da rede credenciada;
  • Insista no seu posicionamento;
  • Demonstre de forma prática (com cases) que o modelo do seu negócio tem diferenciais.

 

Não pergunte à operadora se o credenciamento está aberto, conquiste a oportunidade de ele ser aberto para o seu serviço.

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