Home Care com a cara do Plano de Saúde

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Home Care com a cara do Plano de Saúde

Há hoje no Brasil 1.274 operadoras de planos de saúde ativas com beneficiários, número esse publicado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS • fevereiro/14). Em 2003 essa quantidade era 30% superior, 1.814 operadoras. Isto significa dizer que há 1.274 formas de trabalhar com assistência domiciliar, haja vista que as condições para prestação do serviço – quando a cobertura está disponível – é estabelecida pela própria operadora.

A máxima de que “o cliente tem sempre razão” é levada à risca na oportunidade de conquistar a implantação de um novo paciente. Uma mesma proposta de plano assistencial junto ao tomador pode sofrer várias alterações de acordo com o interesse da empresa prestadora para conquistar o paciente, e da operadora em reduzir o orçamento às suas metas orçamentárias.

É nessa hora que se observa que alguns protocolos – disponíveis no mercado –, existem meramente para compor documentação, do que para estabelecer as necessidades assistenciais e de recursos que o paciente apresenta.

No leilão do atendimento domiciliar tem valido a regra do “quem cobra menos leva” e por aí seguem os cortes de todos os lados. Salvo exceções obviamente de grandes operadoras, cuja política obedece a critérios rigorosos de seleção do prestador de acordo com o nível de complexidade do paciente.

Em muitas empresas de home care a forma de se elaborar um plano assistencial ainda é caseira, carecendo de um sistema estruturado de avaliação do paciente. Eis o problema. Isso faz com que a operadora receba diferentes propostas assistenciais – com preços variados – para um mesmo paciente “avaliado” e se questionar imediatamente da falta de coesão entre um e outro.

A tendência nestes casos geralmente é acreditar que o plano assistencial de maior valor está errado, com as chamadas “gorduras” e que o prestador está “tentando ganhar” mais à custa do plano de saúde. Aí está um erro. As operadoras precisam começar a se questionar dos menores valores e qual nível de segurança que ele oferece.

Em toda indústria sabe-se aproximadamente a capacidade média das margens de lucratividade. Dizer àquele prestador que apresenta o maior valor para “enxugar” sua proposta é no mínimo desprezar o que o mercado pode ter de melhor.

Se pudéssemos imaginar um hospital trabalhando sob as condições de autorização que uma empresa de home care atua, reproduziríamos o caos.

Diferente das empresas de assistência domiciliar, hospitais estabelecem suas políticas assistenciais e as praticam sem a interferência direta de uma operadora de saúde. Assim deveriam se estabelecer também as empresas de home care. Ao diminuir ou retirar um insumo de um plano assistencial a fim de garantir a implantação do paciente, a empresa demonstra sua total fragilidade na negociação e coloca em questão seu posicionamento de qualidade.

Neste jogo negocial perde o paciente que fica de lá para cá, trocando de uma empresa a outra, sob a condição do plano; perde a operadora que não tem a menor ideia da qualidade de assistência que seu usuário irá receber na ponta.

Esse modelo de home care moldado pelas operadoras deve acabar tão logo a ANS estabeleça como obrigatória a cobertura no rol de procedimentos médicos, quando então os próprios usuários do serviço terão poder de escolha.

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