Home Care: Quando a auditoria de contas médicas se torna ineficiente.

Home Care: Quando a auditoria de contas médicas se torna ineficiente.

Quando prioriza a redução de custo a qualquer custo, em detrimento de uma abordagem educativa; Quando o resultado obtido pela auditoria é menor que o seu custo de manutenção; Quando a abordagem participativa dá lugar à grosseria da imposição de vontade; Quando as embalagens de materiais utilizados (os “lacres”) são mais importantes do que a anotação em evolução médica;

Além disso, quando um protocolo assistencial é subordinado à decisão daquele que não está no processo de cuidados; Quando deliberadamente é o gatilho para decisões judiciais que terminam por onerar ainda mais a conduta assistencial; Quando deixa de atuar para evidenciar os impactos e riscos decorrentes de suas decisões. Tudo isso torna o serviço de auditoria ineficiente.

Um auditor de contas médicas quanto restringe o seu trabalho ao de um operário de fábrica – de quem se extrai mais esforço repetitivo do que exercício mental –, com uma atuação que não contribui para educar o personagem auditado, focado na glosa e não na construção de um modelo que aprimore o desempenho do sistema e no ganho técnico para a rede credenciada como um todo, cujo esforço não consegue gerar valor para a assistência oferecida ao paciente nem para o prestador, mas apenas glosa em favor do contratante; algo está errado. E é assim que se encontram muitos serviços de auditoria de contas médicas no “relacionamento” com as empresas de home care.

Um serviço de auditoria de contas que não está preocupado em alinhar seu conhecimento junto aos personagens auditados, equalizando problemas e repassando planos de aprimoramento do processo de faturamento, deve revisitar o propósito global da sua atividade.

O que se tem é uma relação do tipo mocinho-bandido, com a empresa de home care sempre figurando como aquela que “sempre quer se dar bem”, “que sempre tenta fraudar a fatura”, “que sempre busca cobrar além da evolução”, na ótica propositalmente distorcida dos serviços de auditoria de contas.

É preciso uma reflexão por parte desse segmento de empresas de auditoria de contas sobre a maneira como suas abordagens podem não estar contribuindo para a qualidade da assistência ao paciente. Do lado de lá o que se vê são profissionais que estão olhando para a quantidade de embalagens de compressas de gaze, porém cuja contribuição poderia levantar discussões mais substanciais acerca da assertividade da conduta para determinada ferida, onde se estão utilizando as gazes (sem necessidade técnica, por exemplo).

Este tipo de abordagem geraria mais conteúdo para as empresas de home care e para o contratante, do que tão somente o trabalho fabril de imputar glosas e contar lixo (pois contar embalagens de materiais utilizados é contar lixo), e ao final do dia bater determinados indicadores quantitativos.

É preciso um serviço de auditoria que enriqueça a discussão, que perceba as empresas de home care como parceiras e não como “bandidas”, que note esse segmento como a melhor alternativa aos cuidados de um paciente que não mais requer atendimento em nível hospitalar e que também contribua para o sucesso dos cuidados.

É a auditoria quem regula o cumprimento das cláusulas contratuais, na relação fornecedor-cliente, mas é essa mesma auditoria a portadora do dever de garantir o cumprimento dos direitos dos beneficiários por parte de quem a contrata e de dar evidência a uma análise qualitativa dos riscos que as suas decisões podem resultar.

Um serviço de auditoria que se limita à cumprir as decisões do contratante sem emitir regularmente seu ponto de vista crítico acerca de como aquilo afeta o paciente e as outras partes envolvidas – tornando-o público à comunidade -, é um serviço que não agrega, é míope, é conivente com possíveis falhas e resultados medíocres.

Um convênio quando contrata um serviço de auditoria de contas médicas tem exclusivamente um objetivo, o de evitar falhas que possam acarretar em perdas financeiras. Mas estão contratando fabricantes de glosas quantitativas não geradores de resultados qualitativos. A mesma discussão de que a saúde deve evoluir do tradicional pagamento por serviços para a remuneração por performance é algo que seria muito bem-vindo nos serviços de auditoria, algum que esteja preocupado com indicadores qualitativos da performance do prestador, mais do que na glosa em si.

Convido a acessarem o site de empresas de auditoria de serviços de saúde, das grandes às pequenas, entre os discursos, redução de custos, entrega de mais valor aos beneficiários, garantia de qualidade da unidade de saúde, entrega de melhorias, criação de processos para equipes, construção de processos mais eficientes, desenvolvimento de planejamento e ações corretivas.

Até aqui só parece discurso mesmo, pois na prática as entregas têm sido diferentes. Fica o convite para a criação de iniciativas exclusivas para a pauta da auditoria nos serviços de home care. Pois se há algo que devemos abolir são os “Departamentos de Embalagens Usadas” (nas empresas de home care), criados para atender aos desmandos dos auditores.

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