Lucratividade em baixa no Home Care

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Lucratividade em baixa no Home Care

Entrevista com gestores de empresas nas cidades de Recife, Belo Horizonte e Curitiba, parceiras do Conexão para o programa iNurse, revelou que os ganhos imediatos do negócio assistência domiciliar, a chamada lucratividade, estão cada vez menores, fruto de estruturas inchadas e negociações demasiado desfavoráveis para os prestadores de serviços.

Nos últimos dois anos empresas que prestavam serviços em oceano azul levantando a bandeira da experiência acompanharam a rentabilidade do caixa minguar para números quase inoperantes e outras fecharam as portas: perderam pacientes para as recém-chegadas e não foram capazes de “dar a volta por cima” como comenta um dos entrevistados.

Todos são categóricos em dizer que nas condições de mercado atuais mais vale aplicar dinheiro em caderneta de poupança a investir em uma empresa de home care, pois os retornos são baixos para exigências cada vez maiores, clientes atraídos pela isca do preço baixo em modelos assistenciais questionáveis e a falta de reconhecimento do tomador para um modelo de qualidade estruturado, este mais preocupado com a redução das despesas de sinistro do plano de saúde.

Nenhum dos entrevistados tem o nome revelado a seguir. Questionados sobre os motivos destacaram a necessidade de preservar a reputação da empresa, questões estratégicas da organização e, pasmem a possibilidade de boicote de tomadores que não compartilhem da mesma opinião.

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CHC: Os tomadores sabem o que estão comprando?

Curitiba: Não. Definitivamente cada tomador quer comprar um serviço que por si próprio define como Home Care. E as empresas prestadoras na necessidade de atender acabam se sujeitando a processos de trabalho que de longe se parecem com uma assistência domiciliar de qualidade. O pior é que cada um desses tomadores acredita que seu próprio modelo é o melhor. São inflexíveis em adotar alternativas, estratégias assistenciais, processos de cuidado propostos ou até mesmo a comparar com o modelo de outras operadoras. Simplesmente, colocam goela abaixo.

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CHC: Então o Sr. quer dizer que temos várias formas de se fazer Home Care?

Curitiba: Infelizmente. E do jeito que anda com cada um querendo colocar e tirar coisas na hora quando bem entendem sem respeitar a orientação do enfermeiro, do médico e da equipe de saúde, as coisas tendem a piorar.

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CHC: Muito se fala do aumento da concorrência e da inexistência de situações que pudessem gerar barreiras ou dificuldades à entrada de prestadores no mercado. Como o Sr. enxerga o papel da sua organização nesse contexto?

Belo Horizonte: Não temos muito a fazer para isso, pois o nosso cliente que poderia ajudar estabelecendo critérios na seleção de novos credenciados não está preocupado. Pelo contrário, já cheguei a ter situações de clientes que discretamente fizeram ameaças no sentido de ou você se ajusta ou tem muita gente ai querendo ocupar o seu lugar.

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CHC: Nesse meio de tantas empresas é possível ter rentabilidade suficiente para alcançar lucro?

Recife: Minha lucratividade diminuiu bastante do último ano pra cá, venho perdendo desempenho, embora o número de pacientes tenha se mantido estável. Alguns pacientes tem melhor margem do que outros, mas isso é natural, pois depende da composição do plano de cuidados. As margens de lucro em home care são menores que as margens de qualquer hospital, por menor que seja, e as menores do setor de saúde como um todo.  Nas condições de mercado atuais mais vale aplicar dinheiro em caderneta de poupança a investir em uma empresa de home care, pois os retornos são baixos para exigências cada vez maiores. Quem entra hoje certamente não fez contas e quem está dentro está fazendo contas para sair.

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CHC: Essa queda não seria natural, de um mercado que iniciou com margens altas e agora está equilibrando?

Recife: Não acredito nisso. As margens de outros segmentos da saúde se mantiveram estáveis, senão maiores. No home care caíram principalmente nas empresas que estão se sujeitando ao desafio manter clientes que pedem descontos. Ora, desconto se pede em lojas de roupas não para se cuidar da saúde.

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CHC: Com quem está o poder de negociação de tabelas?

Curitiba: Não diria que existe negociação em home care, o que existe é uma redução progressiva dos preços que o plano quer pagar pela mão de obra, pelos insumos, pelos serviços em geral. E quando não conseguem alteram o plano de cuidados. O que você está chamando de negociação eu chamo de adaptação. Nos adaptamos aos preços, é isso. E com a entrada de novos essa adaptação tem sido quase que diária.

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CHC: Há muitas empresas entrando, mas também outras que já deixaram o mercado. Como você analisa esse comportamento?

Belo Horizonte: É um movimento natural do mercado. Assim como em qualquer outra indústria tem empresas fechando as portas outras estão iniciando suas atividades. No nosso segmento acredito que ainda veremos muitas empresas fecharem as portas inclusive pequenas e com certeza essas que estão chegando agora colocando preços promocionais que inviabilizam o negócio. Tenho colega que concorre comigo que fechou a porta depois de não conseguir dar a volta por cima.

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