Mais transparência na relação com o funcionário no Home Care

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Mais transparência na relação com o funcionário no Home Care

Em entrevista ao Conexão Home Care a profissional de enfermagem Maria Lourenço, funcionária de cooperativa de saúde que presta serviços para empresas de home care no município de São Paulo, fala sobre as condições de trabalho a que estão sujeitos os técnicos de enfermagem e dos recorrentes atrasos de salários. Técnica de enfermagem há seis anos se diz realizada com a atividade, mas cobra das empresas mais transparência e respeito e mais responsabilidade do Governo.

 

Como você avalia atualmente a carreira do profissional de enfermagem que atua na casa do paciente?

ML: Eu adoro o que faço. Estou há seis anos trabalhando com home care e já passei por muitos pacientes. Eu vejo que está crescendo, quando me formei haviam menos empresas e hoje a quantidade é muito maior. Acho que vai crescer mais, mas ainda precisamos ser um pouco mais valorizados, não são todos os “home care” que valorizam o técnico de enfermagem e na verdade somos nós que passamos mais tempo com o paciente.

 

O que isso significa “ser um pouco mais valorizados”?

ML: Esses dias sugeri para a coordenadora lá da empresa se podíamos ter um seguro de vida pago pela empresa e ela brincou e disse “por que? você vai morrer? virou o paciente agora?”, tem gente que é “sem noção”. Eles não percebem que quem está cuidando dos pacientes somos nós que estamos na casa, o pessoal fica lá na empresa e liga apenas para saber isso e aquilo e dependem da gente, eles também deveriam cuidar da gente. Outra coisa é o nosso salário, hoje é dia 23 e nós deveríamos ter recebido no dia 20, quando pergunto me dizem que vai sair e para esperar, mas as contas não esperam.

 

Em quantas empresas você trabalha atualmente?

ML: Trabalho pela cooperativa, mas também atendo um paciente particular que consegui. A cooperativa atende três empresas de home care e eu já atendi paciente de todas.

 

E você percebe se há diferença entre uma empresa e outra?

ML: Sim, tem empresas que são mais atenciosas e outras que o pessoal nem te conhece. Às vezes o médico que visita é mais simpático que o enfermeiro que liga.

 

Alguns movimentos de profissionais veem trabalhando na busca de melhorias das condições de trabalho na área da saúde, em especial no Home Care. O que você acha de deveria melhorar?

ML: O valor do plantão e o ticket refeição. Já trabalhei em empresa que dava um valor por dia para almoço e eu usava para o mercado. Deveríamos ter um plano de saúde, um seguro de vida, o vale transporte que nem sempre é pago no dia, eu tomo dois ônibus e não recebo o valor completo dos dois.

 

Você gosta de trabalhar em cooperativa? Poderia comentar.

ML: Sim, sinceramente não vejo muita diferença. Dizem que se tivesse carteira registrada receberia o INSS, mas eu já pago o carnê então não preciso, eu mesmo pago a minha aposentadoria. Eu sei que alguns colegas que trabalham direto para a empresa recebem um pouco menos.

 

O que você acha que deve ser feito para melhorar essa relação entre empresa e funcionário?

ML: Poderia ter mais transparência, somos os últimos a ser informados das coisas, quando somos. O atraso dos salários, por exemplo, se não sou eu perguntar quando receberei ninguém fala nada. Acho que poderiam ser mais sinceros e justos com os funcionários, vejo o pessoal comentando que empresa de home care tem muito lucro, mas não temos participação nesses lucros.

 

Como você avalia a qualificação dos profissionais técnicos de enfermagem?

ML: Tem muita gente que precisa parar e fazer tudo de novo. Já passei plantão para colegas que não sabiam nem instalar o kit da nebulização no aparelho de nebulizar, aí é demais. Mas tento fazer a minha parte, sempre que passo o meu plantão pergunto para o colega se ele tem alguma dúvida sobre o que fazer e também faço a mesma coisa, pergunto bastante, até quando tenho certeza às vezes pergunto.

 

Você acha que o governo tem papel fundamental na regulamentação do relacionamento entre os técnicos e as empresas de home care?

ML: Sim, o governo é muito responsável por isso e deveria ter alguém ou algum órgão para fiscalizar como acontece o atendimento na casa do paciente.

 

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