O antigo clínico de confiança está voltando à cena: o médico de família

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O antigo clínico de confiança está voltando à cena: o médico de família

A medicina clássica mais vigente na atualidade trouxe inestimável melhora na saúde do Homem. Com o desenvolvimento de modernas técnicas cirúrgicas e medicamentos que mudaram o curso natural de muitas doenças, antes incuráveis, contribuiu para o aumento da longevidade da raça humana. Por outro lado, há que se deitar um olhar sobre a lacuna que existe ao adotar somente este modelo organicista e reducionista, que diagnostica e trata os órgãos e sistema de forma parcial, deixando de lado a visão da totalidade do ser humano em toda a sua complexidade.

Quem já não compareceu a uma consulta com um especialista e saiu com a certeza de ter ali o melhor tratamento para aquele órgão doente, porém, com um vazio na alma, por não poder expor todas as suas queixas àquele profissional? Não que o colega não esteja disposto a ouvir seu paciente; mas muitas vezes sua agenda assoberbada pelos convênios e suas inúmeras exigências, as publicações cientificas que saem diariamente sufocam no medico a sua mais nobre missão: a arte de ouvir o seu paciente.

Antigamente, quando a vida não era tão agitada, o médico era aquele velho amigo da família, que acompanhava seu paciente desde a infância até a vida adulta e senectude. Este médico era um clínico geral, por excelência. Tinha que entender de tudo um pouco, e principalmente saber ouvir as queixas daqueles que depositavam nele a sua confiança.

O médico de família, o antigo clínico de confiança está lentamente retornando à cena. Aos poucos, timidamente, vai retomando o seu lugar em nossa caótica sociedade moderna. Alguns amantes da sublime medicina-arte, já cansados do velho modelo organicista/reducionista, voltam-se para a medicina vitalista, que valoriza o SER, em sua totalidade. Cada queixa que nosso paciente nos traz deve ser valorizada, por mais absurda que nos possa parecer. Muitas vezes, a chave para um diagnóstico está nos detalhes.

A medicina vitalista, representada pela homeopatia, medicina chinesa e medicina antroposófica apresentam uma arbitragem diferenciada que valoriza as peculiaridades da pessoa, englobando todas as suas particularidades, tentando chegar ao máximo da individualização de cada caso, com enfoque na qualidade de vida, na melhor global do paciente. É o tratamento do SER que está doente, e não da doença em si. Isso reflete imediatamente na qualidade de vida.

A velha visão da medicina vitalista, tão marginalizada até pouco tempo, vêm começando a revelar-se à luz da moderna ciência através dos estudos sobre o eixo PNIE (psico-neuro-imuno-endócrino). A psiconeuroimunoendocrinologia revela que após um estímulo dado ao indivíduo, ocorre a liberação de substâncias neuromoduladoras, imunomoduladoras e hormonais que tendem a levar o organismo ao seu estado de homeostase. Este mecanismo pode se deflagrado por diferentes tipos de estímulos: medicamentoso, homeopatia, agulhamento de pontos de acupuntura, moxabustão e até por estímulos psicológicos, como no caso da abordagem pela psicossomática ou biofeedback.

É cada vez mais difícil encontrar alguém a quem possamos nos entregar com confiança para que seja o nosso cuidador, o nosso velho e bom clínico geral, aquele que conhece o seu paciente a fundo, sabe de suas particularidades, e que, sobretudo, na sua arte de curar, sabe o momento certo de encaminhar seu paciente a um especialista, participando ativamente da condução do caso em conjunto com o colega.

O retorno do antigo modelo de clínico da família, a visão integral do SER doente, certamente só trarão benefícios a todos.

 

Artigo escrito por Dra. Gina Leite Goulart, CRM 16950-DF.

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