O futuro da medicina: saiba como será

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Por: Stephanie Kohn

A evolução tecnológica sempre busca melhorar a vida dos seres humanos, seja com um computador mais inteligente ou novas funções no automóvel. Já quando o assunto é medicina, sempre pensamos em novos medicamentos ou estudos científicos. No entanto, este é um tema que pode ir mais longe. Atualmente existem tecnologias que estão revolucionando a medicina e podem se tornar bastante comuns em um futuro bem próximo. São desde exames feitos remotamente com toda eficiência de um laboratório até aparelhos que monitoram uma gravidez de alto risco mesmo longe do hospital.

Soluções de TI e mobilidade na saúde

Outra tendência para o setor de saúde é o gerenciamento de todos os processos hospitalares de forma integrada, desde a admissão do paciente até sua saída. A ideia é que os dados dos pacientes como resultados de exames, medicamentos receitados e qualquer outra informação relevante sejam armazenados em um banco de dados e acessível, inclusive, pelos próprios doentes. Uma solução desenvolvida pela T-Systems na Áustria e implementada em 270 clínicas na Europa possibilitam que médicos e pacientes vejam seu prontuário atualizado em iPhones, iPads e iPods.

De acordo com Luiz Carlos Hirayama, responsável pelo desenvolvimento de negócios da T-Systems, as pessoas pagariam uma mensalidade para ter seus dados armazenados, enquanto os hospitais teriam uma infinidade de recursos como teleconferências e a possibilidade de acessar os dados dos pacientes em tempo real como sinais vitais e do coração. Além disso, a solução funcionaria em conjunto com as etiquetas de RFID, que registrariam eletronicamente os medicamentos destinados a cada paciente.

“Imagine que uma pessoa está internada tomando penicilina e uma enfermeira chega no quarto do paciente com uma ampola de bezetacil. Automaticamente um alarme soaria, avisando que aquele remédio não corresponde ao prontuário daquele paciente. Estas soluções evitariam até erro humano”, comenta Hirayama.

Da mesma forma como acontece na Telemedicina, a solução permitiria que o paciente controlasse seus níveis de glicose no sangue, fazendo a coleta do material com um aparelho plugado ao iPhone. Em cinco segundos, o smartphone exibe os dados e a respectiva avaliação, além de enviar ao médico, se necessário. Há ainda um aparelho que monitora a pressão arterial e os batimentos cardíacos através do iPhone, e um termômetro infravermelho, que registra a temperatura sem que haja necessidade do médico estar presente.

Para gravidez de alto risco, o executivo comenta que já existe na Europa uma cinta inteligente que controla todos os sinais vitais do bebê e da mãe em tempo real. Dessa forma, a paciente não precisa ficar em repouso no hospital durante toda a gestação. “Isso significa redução no tempo de permanência no hospital e maior controle sobre os pacientes”, conclui. Segundo o executivo, alguns hospitais particulares de primeira linha no estado de São Paulo já estão em negociação com a companhia para a implementação deste sistema.

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Telemedicina: o diagnóstico à distância

Já faz algum tempo que a telemedicina deixou de ser apenas a transmissão de vídeo associada a softwares e procedimentos médicos. Atualmente, a prática tem evoluído para melhorar a qualidade do atendimento e agilizar os diagnósticos. Os softwares e hardwares desenvolvidos recentemente trazem a possibilidade de realizar exames em plataformas portáteis que estão diretamente ligadas aos médicos, remotamente.

Segundo Francisco Xavier Fernandez, vice-presidente executivo da ITMS – Telemedicina do Brasil, empresa especializada na prestação deste tipo de serviço, atualmente os hospitais que já disponibilizam estes recursos para os pacientes tiveram redução no tempo de internação, passando de 13,3 dias para 9,8 em média. Isso porque as soluções permitem um diagnóstico mais rápido e, consequentemente, um tratamento mais eficaz.

No Chile, a telemedicina permitiu a redução de 30% da mortalidade por enfermidades isquêmicas, de acordo com dados do Ministério da Saúde do país. Já no Brasil, um bom exemplo é a SAMU, que já possui 428 unidades com este tipo de tecnologia e vem conseguindo atender, em 926 cidades, cerca de 109 milhões de pacientes.

Hoje a legislação brasileira não permite consulta médico-paciente com recursos de tecnologia da informação. Mas a telemedicina é utilizada no País desde 1999 para a interação entre médicos, como consulta a especialista ou segunda opinião. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que já conta com o software de telemedicina da ITMS em 15 UPAs, agora terá mais 60 postos de saúde equipados com tecnologias que oferecem serviços de teleconsulta para segunda opinião e telediagnósticos de eletrocardiograma.

A grande diferença, segundo Fernandez, é que com as novas tecnologias é possível transportar informações e não pacientes. Ou seja, a telemedicina atual torna o atendimento mais rápido, barato e até diminui os erros médicos, uma vez que é possível pedir opiniões de especialistas em tempo real e não apenas contar com generalistas.

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Futuro da Telemedicina

Uma grande aposta para o futuro é um carrinho médico de telepresença desenvolvido pela Cisco (imagem abaixo). Ao ser integrado a softwares como o da ITMS, é possível realizar exames em tempo real. As companhias integram os aparelhos que diagnosticam diversas patologias à plataforma e conseguem armazenar as informações dos exames, como fotos e vídeos, ao prontuário do paciente. Com isso, os médicos generalistas ou enfermeiros podem examinar os pacientes de qualquer lugar do mundo e passar as informações para os especialistas remotos, que darão seu diagnóstico final em poucos minutos.

De acordo com Thais Waisman, gerente de inovações da ITMS, existem centenas de aparelhos de diagnósticos que podem ser integrados ao carrinho da Cisco e à plataforma de software da companhia. “Existe balança, controle de paciente crônico de diabete, ultrassom, monitor cardíaco de multiparâmetros, raio X portátil… o céu é o limite. O mais importante é que estes aparelhos comportam a integração e conseguem passar as informações [fotos e vídeos dos exames] para a consulta do paciente, deixando tudo registrado. As imagens e vídeos são em ótima qualidade e fiéis as originais para que não corra o risco do médico remoto não conseguir avaliar o exame”, finaliza.

A parceria entre as companhias começou no Brasil e já está sendo avaliada pelo governo do país, que disponibilizaria os carrinhos médicos de telepresença em estádios da Copa do Mundo, por exemplo. A solução também está sendo estudada em outros locais da América do Sul como Colômbia e Chile.

Para saber mais sobre o assunto, veja aqui uma matéria sobre o município de Tatuí, no interior de São Paulo, que recentemente informatizou todos os postos de saúde da cidade. E conheça aqui o prontuário digital e o primeiro hospital público 100% digital.

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