Pacientes ficam sem atendimento homecare por falta de funcionários

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Pacientes ficam sem atendimento homecare por falta de funcionários

Famílias dizem que escala não vem sendo cumprida há mais de um mês. Empresa alega que Governo do Estado de São Paulo não está fazendo o repasse.

Há mais de um mês, as famílias de pacientes de Sorocaba, município do estado de São Paulo, que precisam do serviço homecare estão enfrentando dificuldades porque a escala de funcionários não vem sendo cumprida. O motivo seria a falta de repasse do Governo do Estado para a empresa responsável pelo serviço.

Nayara, de 14 anos, vive com restrições e precisa do serviço homecare (Foto: Reprodução/ TV TEM)
Nayara, de 14 anos, vive com restrições e precisa
do serviço homecare (Foto: Reprodução/ TV TEM)

A rotina da dona de casa Roseli Santos Campanha se resume a cuidar da filha Nayara, de 14 anos. A adolescente teve uma parada cardiorespiratória há dois anos e, desde então, vive com muitas restrições em uma cama. A mãe recorreu à Justiça pedindo o serviço de homecare, que disponibiliza profissionais de várias áreas para ajudar no tratamento médico em casa.

Ela reclama que desde dezembro a escala de funcionários não é cumprida e, por isso, precisa assumir integralmente os cuidados da filha. “Para dar banho nela, às vezes, eu tenho que procurar ajuda de vizinhos porque ela é grande, pesada, não tem como fazer sozinha. Tem horário de medicação, dieta, a aspiração, inalação, é quase o tempo todo.”

O serviço homecare também é essencial para Luisa Fernandes Pontes. Ela é mãe de um menino chamado Artur, de quatro meses. Com paralisia cerebral, ele precisa de atendimento integral com profissionais da saúde. O homecare ajuda desde o tratamento básico até o desenvolvimento do pequeno.

Na última terça-feira (19), a auxiliar de enfermagem estava presente, mas Luisa diz que não é sempre assim. “É bem complicado para a gente porque os cuidados que ele precisa é difícil para uma pessoa sozinha. Prejudica porque vai ficar sem o tratamento. Então piora o caso da criança. Eles precisam e a fisioterapia é imprescindível.”

Em junho do ano passado, pacientes e familiares já reclamavam da falta de funcionários do serviço de homecare. A empresa alega que o Estado não está fazendo o repasse dos serviços prestados e, por isso, não consegue pagar em dia os funcionários. Um dos sócios da empresa diz que o último repasse feito pela Diretoria Regional de Saúde foi no dia 11 de janeiro, mas referente aos serviços prestados em setembro. Os meses de outubro, novembro e dezembro ainda não foram pagos.

São 80 dias sem receber o repasse, que já soma mais de R$ 1 milhão. Sem salários, 10% dos funcionários deixaram de trabalhar para a empresa. “Nós estamos tentando preconizar os pacientes de máxima complexidade, para não ter furo nas escalas, manter sempre uma enfermeira. É um trabalho que estamos fazendo para que os pacientes não sofram, muito menos os familiares”, explica o diretor comercial Rogério de Jesus Russo.

A Pró-Saúde diz que atende dez cidades da região e 21 pacientes por meio de contratos com o Governo do Estado. Por causa dos atrasos, o diretor não descarta romper a parceria. “A partir de 90 dias sem o pagamento em atraso, a empresa tem a condição da rescisão de contrato com o Estado, com o órgão público”, completa.

O Departamento Regional de Saúde de Sorocaba informou que o prazo de 90 dias para o pagamento não foi descumprido e vai regularizar o repasse para a Pró-Saúde até o fim desta semana.

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