Projeto de uma cama hospitalar para internação domiciliar

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Review do artigo original:  Projeto de uma cama hospitalar para internação domiciliar

Prof. Aristides José da Silva Junior; Profa. Dra. Maria Belén Salazar Posso; Prof. Dr. Laurentino Corrêa de Vasconcellos Neto

http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v44n2/09.pdf

O perfil demográfico do Brasil mudou. A diminuição das taxas de mortalidade e o aumento da expectativa de vida vão aumentar o número de pessoas idosas para 32 milhões  em 2025. Mudanças significativas na pirâmide populacional e seus impactos sobre as áreas sociais, culturais e epidemiológicos têm desencadeado uma série de modificações nos cuidados prestados às pessoas sujeitas a restrições em suas atividades de vida diária.

Neste sentido são feitas várias considerações sobre a importância do redimensionamento dos espaços onde os enfermeiros atuam nos programas de assistência aos idosos, permitindo cuidados especiais, de acordo com o paciente  e seu núcleo familiar.  Além disso, trata-se de uma relação  interpessoal enfermeiro-paciente que é estabelecida para favorecer a aceitação da doença.  A assistência  como um todo consiste na utilização de tecnologias de saúde para prestar cuidados com o objetivo de promover e aumentar o bem-estar nas interrelações pessoais.

A necessidade de redimensionamento dos espaços para atender os pacientes e as necessidades de sua família, além de promover a continuidade do tratamento e recuperação, gera alternativas e estratégias de desospitalização e  cuidados prestados em casa (locus do cuidado), ou seja, prestação de cuidados hospitalares dentro de casa revertendo, assim, os custos sociais elevados.

Fornecer assistência domiciliar envolve mobilização de profissionais, cuidadores, e parentes dos pacientes. A estratégia de home care permite o deslocamento do eixo centrado no hospital – com técnicos fora do contexto e história de vida dos pacientes – para uma modalidade alternativa de saúde fornecida por meio de práticas  que respeitem os direitos dos pacientes, preservando as suas relações familiares e socio valores-culturais

O conjunto de atividades prestadas em casa caracteriza-se por cuidados em tempo integral fornecido a um paciente que apresenta um quadro clínico mais complexo e com necessidades de tecnologia especializada.

Historicamente, a primeira unidade domiciliar foi criada nos EUA em 1947 para aliviar o sistema hospitalar, a fim de oferecer aos pacientes e familiares um ambiente terapêutico mais favorável.  Os dados apresentados pelo relatório da American Homecare Association mostram que, nos últimos  anos,  milhões de americanos têm exigido esse tipo de serviço, mobilizando dezenas de milhares de prestadores de cuidados domiciliares, e que esses números tendem a triplicar nos próximos anos.

No Brasil, acredita-se que os primeiros serviços de assistência domiciliar começaram quando o serviço do  Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU) foi criado em 1949.

A assistência domiciliar cresce exponencialmente, como resultado do aumento do período de vida. Para ajudar os provedores de cuidados domiciliares do Ministério da Saúde publicou o Guia Prático do Cuidador, com uma linguagem simples, para prestar orientação sobre a promoção da saúde para garantir e manter o vida de pessoas acamadas ou aqueles cujas atividades da vida diária são limitadas, visando  uma melhor qualificação de vida para ambos os lados.

Apesar dos excelentes resultados obtidos em assistência domiciliar relacionada à qualidade do trabalho e da família e o bem-estar dos pacientes, ainda existem obstáculos e deficiências nesta modalidade de saúde relacionadas com equipamentos e instrumentos disponíveis no mercado, que são normalmente concebidos para os cuidados hospitalares, onde as dimensões de arquitetura dos hospitais são diferentes.

Para cumprir os regulamentos em vigor, e falando especificamente sobre leitos hospitalares capazes de acomodar a altura média humana, as dimensões são as seguintes: 1,90 m de comprimento e 0,90 m de largura, a estrutura da cama é feita de uma única peça com pequenas variações de acordo com os fabricantes de . Portanto, alternativas tecnológicas devem ser projetadas, permitindo a simplificação equipamentos, tornando-os portáteis e fáceis aumentando a possibilidade de homecare e torná-lo mais fácil.

O atual desenvolvimento tecnológico ainda não consegue atender às necessidades da residência, tanto que uma cama de hospital é um dos equipamentos que são difíceis de lidar e adaptar-se a casa por causa de seu tamanho, o peso e a necessidade de movê-lo periodicamente . De modo geral, os leitos hospitalares disponíveis para serem usados ​​no ambiente doméstico devem pesar 90-200 kg.

Além disso, o ambiente doméstico pode impor barreiras arquitetônicas e ergonômicas decorrentes de pequenos elevadores ou escadas e corredores estreitos como a única maneira de entrar na casa. Neste ambiente, devido ao desenho e altura dos leitos, com a sua estrutura compacta de cama, eles são difíceis de se mover e de acomodar em casa e, às vezes, em prédios sem elevadores.  As camas hospitalares em casa estão limitados aos  modelos tradicionais no mercado.

A pesquisa e desenvolvimento envolvidos na construção de um protótipo nacional foram baseados na estrutura de uma cama de hospital simples geralmente usada ​​em domicílios e/ou hospitais. A dificuldade de acesso desses leitos para diferentes ambientes arquitetônicos foi a motivação mais importante para este estudo.

Assim, o objetivo deste trabalho é propor o desenvolvimento de um protótipo de uma interface amigável, flexível, de uma cama hospitalar portátil para uso domiciliar, com  custo e transporte acessíveis, permitindo uma assistência mais rápida aos clientes / pacientes que necessitam de assistência domiciliar.

Tese: Cama hospitalar: desenvolvimento de uma alternativa para a internação domiciliar

Autor: Aristides Jose da Silva Junior

Orientadores: Profa. Dra. Maria Belén Salazar Posso; Prof. Dr. Laurentino Corrêa de Vasconcellos Neto

Resumo : A internação domiciliária vem sendo difundida como uma nova perspectiva dos serviços de saúde. Há atualmente a necessidade do desenvolvimento de um projeto tecnológico de uma cama hospitalar portátil, que permita a simplificação na instalação e na sua montagem, tornando-a de fácil manipulação. Este trabalho propõe o desenvolvimento da cama hospitalar para facilitar o seu processo de transporte e montagem, possuindo tamanho e peso reduzidos, com altura variável. Nas alterações propostas no projeto a cama terá um peso estimado total de 50kg, divididos em; cabeceira e peseira igual a 10kg; grades laterais, 5kg; estrado, 35kg. Salienta-se porém, que desmontada possuirá, em média, um peso de 17,5kg para cada parte do estrado. Assim a parte mais pesada da cama será 73% menor que a parte mais pesada do modelo atual. Neste projeto o modelo é apresentado com inovações de redução do estrado, desmontando no centro, nas laterais que são dobráveis para o centro reduzindo assim o seu comprimento e largura. Quando desmontada, a cama deverá ser reduzida no seu comprimento de 1,90m para 0,95m e a largura de 0,90 para 0,45 m, permitindo o seu transporte em veículos de pequeno e médio porte, bem como, permitindo a movimentação em corredores e elevadores residenciais, solucionando problemas enfrentados com a utilização dos modelos atuais, facilitando a assistência de enfermagem a ser prestada.

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