TENDÊNCIAS em Home Care, por Wellington Zuchi

Home Notícias TENDÊNCIAS em Home Care, por Wellington Zuchi

Coluna escrita por: Wellington Zuchi, Diretor Operacional da empresa Max Care 

Publicada em 28/09/2012.

Discorrer sobre o Tema “Tendências do Home Care”, num segmento carente de dados estatísticos mais específicos, é um grande desafio, pois as informações não são compartilhadas, ainda como estratégia de competitividade, reforçando ainda mais o amadorismo existente entre as empresas atuantes.

Apesar da atividade de Home Care já ser praticada com efetividade, sobretudo nos Estados Unidos, desde o século 18, sem menosprezar a história americana e, tampouco desconsiderar a experiência de erros e acertos, decidi redigir sob a minha ótica de Administrador e profissional de Operadorade Saúde por mais de vinte anos, período que coincide com “boom” do Home Care no Brasil.

Entre o final da década de 80 e durante toda a década de 90, surgiram as primeiras empresas privadas no Brasil focadas na atividade de atendimento médico domiciliar, concentradas ainda no eixo sul-sudeste.

Carentes de uma legislação própria e sem um modelo definido de atuação, as ofertas de serviços foram e continuam sendo, as mais variadas possíveis, ou muitas vezes incompletas, desconfigurando seu principal objetivo “Cuidar do Paciente na Residência”.

Apesar da Lei 9656/98 não fazer menção ao Home Care em sua redação inicial (somente mais recentemente através de Resolução), considero como uma das principais propulsoras do segmento, pois fomentou diversas Operadoras de Saúde a repensar os cuidados aos pacientes, tanto para se diferenciar no mercado, quanto para obter os resultados financeiros almejados, haja vistaa necessidade de aperfeiçoar o gerenciamento dos riscos, uma vez que um paciente bem cuidado também contribui para custos mais controlados.

A princípio o Home Care era entendido como um “produto de luxo”, inclusive como “perfumaria”por alguns céticos e, somente no final da década de 90 passou a ser visto como uma ferramenta importante na área de saúde, beneficiando a todos os envolvidos: Pacientes, Familiares, Médicos, Hospitais, Operadoras de Saúde e até o setor público.

De forma resumida, neste cenário temos o Paciente e os Familiares se beneficiando da comodidade do tratamento na residência e a minimização dos riscos de infecções, o Médico enxergando o contexto social também igualmente importante na recuperação do paciente e convergindo todos os esforços da equipe multidisciplinar, os Hospitais destinando seus leitos para os casos complexos que realmente requeiram a internação, as Operadoras de Saúde reduzindo seus custos sem perder de vista os cuidados necessários ao paciente e a combinação de todos esses fatores se refletindo sobre a sociedade como um todo.

Diversos dados já conhecidos e relembrados a todo o momento na área de saúde, tais como a redução da taxa de fecundidade e o aumento da sobrevida (envelhecimento da população), a busca pelo auto cuidado, a elevação constante dos custos com a tecnologia na medicina, etc.,são indicadores das possibilidades promissoras que se abrem ao Home Care.

Mas não podemos nos ater somente à Geriatria, é importante enxergar o Home Care como uma ferramenta de inúmeras frentes, possibilitando o cuidado na residência dos pacientes com atendimentos pontuais (antibióticoterapia, curativos, etc.), pós-cirúrgicos, queimados em recuperação, recém-nascidos prematuros com ou sem más formações congênitas, crônicos, paliativos, etc.

O Home Care sem dúvida é um dos segmentos mais promissores no mundo e, aqui no Brasil, deverão ocorrer mudanças profundas e desafiadoras (algumas já em andamento) para que possamos avançar de forma segura com serviços qualificados. Enumerei a seguir alguns desses desafios que considero primordiais:

1-    Os profissionais da área de saúde (Médicos, Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, Fisioterapeutas, Fonoaudiólogos, Nutricionistas, etc.), precisam ser formados também para o atendimento domiciliar. Há de se remunerar melhor por essa prestação de serviços para que tais profissionais não vejam o Home Care apenas como uma atividade complementar ou um “trampolim” para uma outra oportunidade;

2-    É preciso educar os Familiares para assumir diversos cuidados do paciente na residência, instituindo de forma sólida a figura do Cuidador;

3-    O emprego da tecnologia da informação na agilização e qualificação dos serviços das empresas de Home Care;

4-    A definição de protocolos que estabeleçam padrões para que pacientes em internação hospitalar migrem para o atendimento domiciliar de forma mais automatizada, permitindo um melhor gerenciamento dos leitos, a exemplo de outros países (vide a experiência Canadense em que “sobraram” leitos hospitalares);

5-    Adoção de modelos de contratação do Home Care que não se norteiem somente pela precificação, mas também pela resolutividade, a qual, no final, trará a economia e os ganhos financeiros desejados, pois um paciente bem cuidado custa menos para todos os envolvidos;

6-    Utilização do Home Care na sua atuação mais ampla que vai além do cuidar abrangendo a prevenção;

7-    Inserção da segmentação Domiciliar na Legislação vigente dos Planos de Saúde, haja vista que somente fora previsto Ambulatorial, Hospitalar e Obstetrícia;

8-    Regulamentação da atividade através de uma Legislação específica e uníssona, com envolvimento da sociedade e todas as entidades representativas, regulamentadoras ou fiscalizadoras, tais como o Conselho Federal de Medicina, Conselho Federal de Enfermagem, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Agência Nacional de Saúde, etc.;

9-    Criação de uma carga tributária específica para o segmento de Home Care, haja vista que a enquadrada atualmente onera demais a operação das empresas, sacrificando suas margens, impossibilitando o reinvestimento para a melhoria da prestação dos serviços;

10- Revisão do posicionamento do Judiciário frente às demandas com melhor entendimento sobre o que é o Home Care;

Por fim, somente o compartilhamento de informações e experiências entre as empresas de Home Care, possibilitaráa consolidação de dados estatísticos que realmente reflitam a nossa realidade e possibilitem encontrarmos um modelo que possa atender os interesses e necessidades de todos os envolvidos.

O crescimento do Home Care não é mais futuro. É presente e está ocorrendo neste momento. Cabe a todos nós escrevermos uma história de sucesso.

Deixe um comentário

Seu email não será publicado.